NOTÍCIA - Agronegócio

17 de abril de 2017 | MENOR | MAIOR | |

A agricultura digital está em marcha

A agricultura digital está em marcha

O MIT Media Lab está a desenvolver computadores que permitem a produção de alimentos em qualquer ambiente do planeta.

Com o avançar dos séculos, a crescente urbanização acentua a falta de áreas produtivas para agricultura.

O facto emerge como um problema real para a alimentação do futuro.

No MIT Media Lab, Caleb Harper e a sua equipa acreditam que vai ser possível todos sermos agricultores, mesmo em ambientes totalmente urbanos.

Harper é o principal investigador da Iniciativa Open Agriculture (OpenAG) e diretor do CitiFARM, no MIT Media Lab, e quer mudar o sistema de alimentação através da ligação entre os produtores e o mundo digital.

Em conjunto com a sua equipa, desenvolveu um computador que pode recriar um ambiente específico em que as plantas crescem sem necessidade de solo.

O Food Computer é uma espécie de centro de controlo de uma estufa digital.

De dimensões semelhantes a um computador pessoal, o Food Computer utiliza tecnologias agrícolas sem terra, como a hidroponia (técnica de cultivar plantas em alternativas ao solo, como líquidos ou areia) e a aeroponia (manter as plantas suspensas no ar), para controlar as condições climáticas dentro de uma câmara de crescimento para as plantas. Permite regular variáveis como o dióxido de carbono, a temperatura do ar, a humidade, o oxigénio dissolvido ou o pH.

Ao Huffington Post, Caleb Harper explica que «quando dizemos que gostamos dos morangos do México, estamos na verdade a dizer que gostamos das condições em que os morangos foram cultivados».

Por isso, questiona: «porquê importar alimentos a milhares de quilómetros, quando se pode importar o clima onde o alimento é cultivado?».

Harper acredita que as mudanças climáticas produzidas em computadores conectados em rede e com um sistema agrícola informatizado são o futuro da alimentação. Ainda de acordo com os engenheiros do MIT, a câmara de produção pode ser utilizada até em ambientes extremos, como em um deserto ou na Antártida.

Qualquer pessoa pode construir um Food Computer e o MIT ensina como. A Iniciativa OpenAg é um projeto de plataforma aberta (“open-source”), o que significa que assenta num software informático cujo autor fornece, a custo zero, o direito de estudar, modificar e distribuir o software, para qualquer um e para qualquer finalidade.

Sobre a decisão de abrir a licença do software a qualquer pessoa, Caleb Harper argumentou, em entrevista ao “IEEE Spetrum”, que o futuro da agricultura deve passar por um sistema partilhado por todos: «toda a gente projeta o seu próprio pequeno centro de dados para as estufas de armazém ou para as estufas verticais. Dizem que é super especial e tentam criar uma propriedade intelectual a partir dela. E não deixam as pessoas entrarem ou usarem os seus mecanismos, porque não querem que roubem as suas ideias brilhantes. Esse é o problema na minha indústria neste momento. As pessoas ainda não perceberam que há um sistema subjacente a isso. E não vai escalar até que haja uma plataforma comum».

Outra inovação neste projeto do MIT é a inclusão nos Food Computers da luz azul de LED de alta eficiência que deu a três investigadores japoneses o Prémio Nobel da Física em 2014.

No separador do site “Build a Food Computer”, os cientistas envolvidos no projeto oferecem listas de materiais necessários, tutoriais em vídeo e um fórum onde a comunidade mundial contribui com as suas experiências.

Ainda na página oficial da iniciativa, os investigadores explicam que o investimento financeiro tornou-se «bastante atractivo» para quem deseja construir um Food Computer, já que o tempo de retorno de lucro, que se estimava em 10 ou 12 anos, reduziu para seis a oito anos graças ao aparecimento de novas tecnologias.

A agricultura digital está em marcha
Fonte: Querência em Foco com JPN UP.

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