NOTÍCIA - geral

17 de abril de 2017 | MENOR | MAIOR | |

Glaucoma atinge pessoas de qualquer idade e pode levar à cegueira

Segundo oftalmologista, a doença é silenciosa e ainda não tem cura
Glaucoma atinge pessoas de qualquer idade e pode levar à cegueira

Quando se pensa em problemas oculares logo vem à mente o uso de óculos de grau. Mas no universo da saúde dos olhos há uma infinidade de males que muitas vezes nem são conhecidos. É o caso do glaucoma, uma doença silenciosa, que atinge pessoas de todas as idades, não tem cura e quando não tratada pode levar à cegueira.

 

O glaucoma é uma doença do nervo óptico, cujo principal fator de risco é o aumento da pressão ocular.

 

“Com a pressão ocular em níveis acima dos normais para aquele paciente, o nervo óptico começa a perder fibras. E, na medida em que ele vai perdendo fibras, começa a ter de início uma perda do campo de visão mais periférico. E, com a progressão da doença, se não fizer tratamento, o paciente pode chegar até a perder a visão central e ficar completamente cego”, explica o médico Jair Giampani, oftalmologista especialista em glaucoma.

 

Segundo Giampani, o glaucoma é uma doença crônica, assim como a diabetes e a pressão arterial sistêmica, ou seja, não tem cura, mas tem tratamento e requer um acompanhamento para o resto da vida. 

  

Se não fizer tratamento, o paciente pode chegar até a perder a visão central e ficar completamente cego."

A doença acomete desde recém-nascidos, no caso do glaucoma congênito, até uma faixa etária mais avançada. Sendo que quanto mais avançada a idade, maior a chance de ter a doença. No Brasil, a média de prevalência de glaucoma na população acima de 40 anos é por volta de 3,5% a 5%.

 

Existem dezenas de tipos de glaucomas, mas os principais são os primários, secundários e glaucomas de ângulo aberto e ângulo fechado.

 

Os primários são quando o paciente não teve trauma, não fez nenhuma cirurgia, ou não usou nenhum colírio que pudesse aumentar a pressão ocular. Já os secundários acontecem justamente quando o paciente teve uma causa para esse aumento da pressão.

 

Já os de ângulo aberto, ou fechado, se referem ao ângulo que se forma no espaço entre a íris, que é o colorido do olho, e a córnea.

  

“É nesse local que se dá normalmente a drenagem do humor aquoso, que é o líquido que nós temos dentro do nosso olho. Quando esse ângulo é aberto, é chamado de glaucoma de ângulo aberto. E quando a íris é muito próxima da córnea, nós chamamos de glaucoma de ângulo fechado”, esclarece.

 

Existem vários motivos que podem levar aos glaucomas secundários, sendo os principais deles o uso de colírios contendo corticoide, traumas oculares, como uma pancada na região dos olhos, cirurgias oculares e a dispersão de pigmentos da íris dentro do olho, tipo comum entre pessoas mais jovens e míopes, que é o glaucoma pigmentar.

 

Além disso, segundo Giampani, existem ainda alguns fatores de risco que podem levar ao aumento da pressão ocular, como a hereditariedade, pessoas que têm familiares de primeiro grau com glaucoma.

 

Negros também têm predisposição maior para o desenvolvimento da doença, além de, em regra, ter glaucomas mais agressivos.

 

E, por fim, pacientes com córnea muito fina acabam tendo um risco maior de desenvolver a doença de forma mais grave e agressiva.

 

Um dos grandes problemas da doença é que, na maior parte das vezes, ela não tem sintomas e acaba sendo descoberta em uma fase muito avançada.

 

“O paciente muitas vezes tem glaucoma e vem perdendo o campo de visão. Mas como primeiro se perde a visão lateral, o indivíduo continua enxergando bem na visão central. Então ele não se dá conta de que realmente tem a doença. E quando vai procurar o médico, porque já está percebendo a perda da visão central, já é muito tarde”, relata Giampani.

 

O diagnóstico é feito através de exames complementares, após o médico suspeitar da doença em uma consulta oftalmológica. “Não tem como apenas olhando para o paciente já dizer se ele pode, ou não, ter glaucoma”, frisa o especialista.

 

O tratamento basicamente é feito através da redução da pressão ocular. Apesar de existirem subtipos menos comuns - em que a pressão ocular pode estar normal -, este é o principal fator de risco. Então a única maneira de tentar estabilizar o glaucoma é reduzindo a pressão ocular.

 

“Isso pode ser feito através de colírios, laser ou cirurgias. Sempre lembrando que, como o que acontece no glaucoma é uma atrofia do nervo óptico, essas fibras que se perdem no nervo óptico não se regeneram. Então o tratamento visa estabilizar a doença. Nós não conseguimos recuperar aquilo que já foi perdido”, reforça o oftalmologista

 

O sucesso do tratamento depende muito do estágio em que foi feito o diagnóstico. Segundo o especialista, pacientes que tiveram um diagnóstico feito em uma fase inicial tem grandes chances de continuar enxergando muito bem pelo resto da vida. Já quando descoberto em fase tardia, há grandes chances de o paciente ter sequelas, ou até a perda da visão.

 

Após o diagnóstico, poucos são os hábitos externos que influenciam no tratamento do glaucoma. Mas fazer atividades físicas aeróbicas ajuda a reduzir a pressão ocular na maior parte dos glaucomas.

 

Já a alimentação, segundo Jair Giampani, não tem grande influência, mas há estudos que mostram que o vinho tinto tem algumas substâncias que ajudam a proteger o nervo óptico e controlar a pressão ocular.

 

Nem todo paciente responde bem ao tratamento, por isso a importância de começar o mais precocemente possível, para que possam ser testadas várias medicações, aumentando a possibilidade de eficiência do tratamento.

 

Sendo assim, a única forma de prevenir a doença é o exame periódico. Quando o paciente vai a uma consulta fazer exame de grau, o médico já faz uma triagem para saber se o paciente pode, ou não, ter glaucoma.

  

“É importante lembrar que o exame de grau em si é só uma parte do exame médico oftalmológico. Na verdade o exame oftalmológico não é só medir grau. A gente mede pressão, a gente faz exame de fundo de olho e ninguém melhor do que um médico oftalmologista pra fazer essa suspeita”, afirma o doutor.

 

Para pacientes saudáveis, o ideal é que seja feita ao menos uma consulta anual, em que todos os exames preventivos serão realizados. Já quando o paciente tem glaucoma, isso depende do estágio da doença, podendo ser necessário até a visita a cada dois ou três meses.

 

E pessoas míopes têm uma predisposição maior, visto que a miopia é um fator de risco para o glaucoma.

 

“Acho que o mais importante disso tudo é levar a mensagem da importância do diagnóstico precoce, pedir que os pacientes façam exames periódicos com seu médico oftalmologista para que, durante o exame periódico, se eventualmente houver alguma suspeita de glaucoma, possa ser feito o diagnóstico e instituído o tratamento. E não deixar para diagnosticar já numa fase mais adiantada da doença”, alerta. 

 

No mundo tem-se a estimativa de que aproximadamente 160 milhões de pessoas são portadores de glaucoma.

 

 

GALERIA DE FOTOS

Glaucoma atinge pessoas de qualquer idade e pode levar à cegueira
Fonte: Querência em Foco com KARINA CABRAL

Comentários

Deixe um comentário sobre esta notícia.