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18 de maio de 2017 | MENOR | MAIOR | |

Janaina se diz humilhada, chora e bate-boca com colega na AL.

Deputada se irritou quando colega a acusou de fazer "teatro" com episódio dos grampos telefônicos
Janaina se diz humilhada, chora e bate-boca com colega na AL.

A deputada estadual Janaina Riva (PMDB) e o suplente de deputado Jajah Neves (PSDB) bateram boca durante sessão na Assembleia na noite desta quarta-feira (17). 

Tudo começou quando a peemedebista usou a tribuna para se dizer “abandonada” pelos colegas parlamentares, que não a apoiaram na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a rede clandestina de grampos ilegais realizada pela Polícia Militar de Mato Grosso, da qual ela foi uma dos alvos. 

Em lágrimas, a deputada disse ter ouvido de colegas, enquanto buscava as oito assinaturas necessárias para instalação da CPI, que ela “deveria ir trabalhar”. 

“Nunca passei humilhação tão grande em toda minha vida. A esposa do chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, a primeira-dama Samira Martins, o governador Pedro Taques, utilizavam um aparelho de escuta telefônica contra mim para fazer memes, repassando mensagem de WhatsApp que feriram meus filhos, meus pais e minha família como um todo”, afirmou. 

“Tenho vários documentos que mostravam amizade que o promotor Mauro Zaque tinha com o governador. Essa amizade acabou porque ele descobriu que o Taques estava nos interceptando. E digo ‘nós’ porque eu não era a única interceptada. Aposto a vida dos meus filhos que vocês também estão grampeados e isso vai ser usado de chantagem com relação a vocês. A Assembleia não pode me deixar sozinha nessa situação”, disse.

Para Janaina, as argumentações dos colegas de que os grampos já estão sendo investigados pela Procuradoria Geral da República, não são válidos. Segundo ela, a Assembleia já criou outras comissões mesmo com andamento de investigações em outros órgãos. Citou o caso da CPI das Obras da Copa e dos Frigoríficos. 

“Desde o dia que entrei aqui, enfrentei muita coisa. Vi o maior amor da minha vida preso, que é meu pai [José Riva]. Não subi aqui para defender, se cometeu crime, tem que pagar. Mas quando precisei, não sobrou muita gente para ficar ao meu lado”, disse. 

“Reconheço algumas coisas que vocês fizeram para mim, não estou sendo injusta, mas nunca na minha vida senti vergonha de sair de casa como hoje, porque sei que tudo que vivi está exposto para quem quiser ler e me julgar. Mas vou às últimas consequências, com CPI ou não”, afirmou a deputada, ainda emocionada. 

Novela mexicana 

Em seguida, Jajah Neves, que ocupa a vaga deixada pelo deputado Wilson Santos (PSDB), que assumiu a Secretaria de Estado de Cidades, usou a tribuna para ironizar as declarações da peemedebista. 

Sugeriu que a deputada se esconde em “questões de gênero” e que as falas sob choro remetem a "novelas mexicanas do SBT". 

“Aqui é uma Casa de Leis que tem 24 parlamentares, cada um está fazendo a sua defesa. Não estamos aqui exibindo seriado das 8. Aqui não é o Projac da Globo. Aqui é o Parlamento de Mato Grosso. Não diria Globo, mas SBT, porque isso é novela mexicana”, disse.

“Não vamos nos esconder através de sexualidade ou gênero. Claro, temos que respeitar segmentos, mas parem de usar de demagogia, de sensacionalismo para fazer desse parlamento um teatro de quinta categoria. O povo mato-grossense merece respeito. Quer ver novela, liga na Globo”, afirmou. 

"A responsabilidade nessa tribuna é séria, é grande. Vem revestida da confiança do povo. Não podemos, aqui, trazer conjecturas, trazer achismos e tratar como se fosse verdade. Não podemos aqui nos esconder atrás de uma imunidade parlamentar a qual eu questiono tanto. Não podemos tratar de sensacionalismo. Eu respeito os gêneros. Agora, aqui é uma Casa de Leis", disse.

O deputado concluiu se dizendo contra a criação de uma CPI e que não irá apoiar “corruptos”. 

“Se tem grampo, tem que investigar, agora querem aqui questionar o Ministério Público? Querem questionar a PGE, querem questionar a imprensa nacional. Trazer CPI para este parlamento para quê? Para fazer algazarra e politicagem? Não vamos fazer disso uma questão pessoal, e, digo mais, do campo eleitoral” 

Calcinha rosa e repasses irregulares a Wilson 

Irritada, Janaina tentou responder as declarações, mas foi impedida pelo deputado Oscar Bezerra (PSB), que presidia a sessão. Ele argumentou que o horário regimental seria, agora, para fazer as votações e que ela poderia responder Jajah nas considerações finais. 

Em seguida, ela ameaçou pedir vista de todos os projetos que seriam votados e, a pedido do líder do Governo, Dilmar Dal’Bosco (DEM), as votações foram suspensas. 

Com a palavra, Janaina disse que Jajah não teria moral para falar em corrupção. Acusou o deputado de fazer os repasses da verba indenizatória, de R$ 65 mil, ao titular do mandato, Wilson Santos. A prática é ilegal. 

Essa acusação já havia circulado nos bastidores quando Wilson retornou, em abril, ao Legislativo e por lá ficou um mês. 

“Aqui nesta Casa tem muita coisa que precisa ser revista. Vocês acabaram de ver uma defesa de um parlamentar que foi acusado de usar calcinha rosa por um secretário. Vocês ouviram a defesa de um parlamentar que critica corrupção, mas corrupção não é só surrupiar dinheiro. Também é repassar verba indenizatória ao deputado detentor do mandato”, afirmou. 

“Tem gente que é muito macho para vir aqui na tribuna falar, mas chega ao Governo, faz acertozinho para sua imprensa, para sua mídia, e fica igual gato miando, aceitando tudo que vem. Deputado que pega dinheiro de governo, não tem moral para vir falar de corrupção”, disse, se referindo ao programa que Jajah comanda na televisão. 

Ela disse, ainda, que levará as acusações contra Jajah ao Ministério Público Estadual. 

“Vou solicitar as informações a respeito dos repasses do Governo a este cidadão. Vou denunciar ao Ministério Público. Vou fazer isso, porque quando subi aqui, não foi para agredir ninguém, foi para pedir solidariedade, porque estou na lista de grampeados”, afirmou. 

“Basta ler o documento ou você é analfabeto? Aqui não tem ninguém contra o MPE, quem se pronunciou contra foi o Governo que acusou o Mauro Zaque. Leia e estude para ser deputado, porque aqui é lugar de gente inteligente, não de gente desocupada que quer aparecer. Nem voto tem para estar aqui. Mas, agora, segure as calças, porque vou ao MPE e mostrarei quem é você”, disse. 

Jajah acompanhava as declarações de Janaina ao lado do presidente. Ao encerrar as declarações, a deputada foi em direção ao parlamentar e, com dedo em riste o chamou de “ladrão” e “bandido”. Ela precisou ser contida por outros deputados que estavam ao lado. 

Ele não voltou à tribuna para responder Janaina e a sessão foi encerrada.

Janaina se diz humilhada, chora e bate-boca com colega na AL.
Fonte: Querência em Foco com DOUGLAS TRIELLI

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