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28 de setembro de 2017 | MENOR | MAIOR | |

Perri diz que grupo implantou "terror" e amedrontou delegados.

Desembargador diz que foi tarefa "árdua" encontrar policial para conduzir caso.
Perri diz que grupo implantou

O desembargador Orlando Perri, que conduz os inquéritos sobre grampos em Mato Grosso, afirmou que o grupo preso nesta quarta-feira (27), na Operação Esdras, chegou a amedrontar delegados para que eles se recusassem a assumir as investigações sobre o esquema de escuta ilegal operado em Mato Grosso.

A informação está em um trecho da decisão do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que determinou a prisão de oito envolvidos, além de determinar 15 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva.

Investigado por grampos ilegais, o grupo é acusado de colocar em prática um plano para gravar o desembargador a fim de colocá-lo sob suspeição. A ideia era tentar obter declarações de Perri e tirá-las do contexto com o propósito de pedir seu afastamento do caso.

"Se ele [o grupo] se mostra com destemor para achacar, acovardar e constranger um membro desta Corte de Justiça, que dizer dos cidadãos comuns, das pessoas que foram suas vítimas, como as interceptadas ilegalmente?", escreveu Perri.

No despacho, o magistrado citou a força dos acusados e a capacidade de atuar contra a investigação.

“O terror que implantaram é sentido até no meio policial. É público e notório que incontáveis delegados de Polícia se recusaram, com veemência, a participar das investigações. Foi mesmo árdua a tarefa de encontrar valorosos delegados, como os que estão hoje à frente das investigações”, disse Orlando Perri.

No decorrer das investigações, os delegados Fabiano Pitoscia e Flavio Stringuetta pediram afastamento do caso. Este último alegou problemas de saúde.

Outros delegados, que foram sondados, descartaram a participação. O caso agora está sob a responsabilidade da delegada Ana Cristina Feldner.

O magistrado relata que houve, inclusive, ameaças de processar delegados por usurpação de função pública e improbidade administrativa.

“Houve até ameaças em se processar delegados por usurpação de função pública e improbidade administrativa se não atendessem, em 24 horas, o pedido de 'avocação' dos inquéritos, que foram abertos por ordem e determinação deste Relator”, disse.

“Quiseram passar até por cima da autoridade do Tribunal. É neste estado de ânimo e forças que caminham os procedimentos que apuram a grampolândia pantaneira”.

O magistrado cita os secretários Rogers Jarbas (Segurança Pública), Airton Siqueira (Justiça e Direitos Humanos), além do ex-secretário Paulo Taques (Casa Civil) e o ex-comandante da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, e membros do Gaeco, como sendo “as pessoas de maior influência” nesta estratégia.

Conforme Perri, as ações do grupo “não deixaram o menor fiapo de dúvidas” quanto à atuação em ir contra os interesses do processo e de aliciar as testemunhas, chegando, inclusive, a agir na coação de pessoas e destruição de provas.

“Não se pode perder de vista que se trata de pessoas com grande poder de influência dentro das forças do Estado, uma vez que ocupam, por si e por longa manus, cargos de maior relevância no atinente à segurança pública”, diz trecho da decisão.

A operação

A operação foi deflagrada às 6 horas desta quarta-feira (27). No total, foram 9 mandados de prisão, 15 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva.

Foram presos o coronel Airton Siqueira, secretário de Estado de Justiça; o delegado Rogers Jarbas, secretário de Estado de Segurança Pública; o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, e sua esposa Helen Christy; além do advogado Paulo Taques, ex-chefe da Casa Civil, o sargento João Ricardo Soler o empresário José Marilson.

Há ainda um mandado contra o Michel Ferronato, do setor de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ele está em Goiás e deve se apresentar à Polícia nas próximas horas.

Todos são acusados de participar de uma ação para obstruir as investigações sobre o esquema de grampos ilegais operados por membros da Polícia Militar nos anos de 2014 e 2015.

Além das prisões, houve buscas e apreensões nas residências dos detidos e a condução coercitiva do coronel Carlos Eduardo Pinheiro da Silva, corregedor da Polícia Militar.

Evandro Lesco já havia sido detido em junho passado, por meio do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o caso.

Paulo Taques também foi preso em agosto, por decisão do desembargador Orlando Perri. Ele foi colocado em liberdade uma semana depois, por decisão do STJ.

As prisões e buscas foram requeridas pela delegada Ana Cristina Feldner e decretadas pelo desembargador Orlando Perri.

O nome da operação é uma referência ao personagem Esdras ("Aquele que ajuda, Ajudador, Auxiliador"), da tradição judaico-cristã. Ele liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram de Babilónia em 457 a.C. . Descendente de Arão, o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, Esdras era escriba (copista da lei de Moisés) entendido na lei de Moisés.

Grampolândia

A denúncia sobre o esquema de grampos foi feita pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que recebeu as primeiras informações sobre o caso em 2015, quando ainda era secretário de Estado de Segurança Pública.

Mais de 700 pessoas teriam sido gravadas ilegalmente, por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

Os alvos foram políticos, jornalistas, advogados e médicos, entre outros. Um deles foi o do advogado José do Patrocínio, que foi coordenador jurídico da campanha de Lúdio Cabral (PT) em 2014, adversário de Taques na campanha.

Perri diz que grupo implantou "terror" e amedrontou delegados.
Fonte: Querência em Foco com JAD LARANJEIRA

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