NOTÍCIA - Agronegócio

29 de setembro de 2017 | MENOR | MAIOR | |

ACORDO: Após 18 anos, União Europeia apresenta nesta semana oferta decisiva ao Mercosul.

A expectativa do Mercosul é de que, pela primeira vez, etanol e carnes estejam no pacote, o que tem gerado fortes críticas por parte do lobby protecionista europeu.
ACORDO: Após 18 anos, União Europeia apresenta nesta semana oferta decisiva ao Mercosul.

Depois de 18 anos, a negociação entre o Mercosul e a UE entrará numa fase decisiva e inédita. Ainda nesta semana, o bloco europeu apresentará sua oferta do que está disposto a abrir em seu mercado para as exportações dos países do Cone Sul. A expectativa do Mercosul é de que, pela primeira vez, etanol e carnes estejam no pacote, o que tem gerado fortes críticas por parte do lobby protecionista europeu.

Início - O processo de negociação começou em 1999. Mas em 2004, processo entrou em um longo período de impasse. O governo brasileiro recusou um acordo com os europeus diante do acesso aos produtos agrícolas considerados como insuficientes. Agora, a meta de ambos os lados é a de fechar um acordo inicial até dezembro.

Primeira troca - Uma primeira troca de ofertas foi realizada em maio, com o Mercosul indicando a abertura de setores industriais, enquanto a Europa apresentou sua proposta inicial. Mas o pacote oferecido naquele momento não incluía produtos considerados como fundamentais para os exportadores do Cone Sul.

Ordem - A ordem era a de aguardar a eleição na Alemanha para saber e a maior economia do bloco continuaria a ser governada por Angela Merkel. Com a vitória da chanceler, que apoia um acordo, Bruxelas recebeu o sinal verde para preparar o documento final que será entregue ao Brasil até sexta-feira (29/09). Na semana que vem, em Brasília, negociadores de ambos os lados se reunirão para avaliar o pacote e considerar se a oferta é suficiente para fechar um entendimento.

Lobby - Tanto em Brasília como nas capitais europeias, a entrada do processo em uma fase final está mobilizando setores produtivos. No Brasil, o setor de máquinas e equipamentos no País teme uma abertura que poderá afetar o segmento que já sofre com dois anos de recessão ou baixo crescimento.

Mudança de posição - Mas alguns setores que recusavam um acordo há quase duas décadas acabaram mudando de posição e hoje estão dispostos a fechar um entendimento. No caso do setor de eletrônicos, o temor da indústria brasileira era de que uma abertura para a concorrência europeia poderia os afetar no início do século. Desde então, mesmo fechado para a Europa, o setor sofreu um profundo abalo com a chegada da China ao mercado.

Oportunidade - Hoje, ironicamente, o segmento vê o acordo com a Europa como uma oportunidade para ter acesso a novos mercados.

Carnes - Do lado europeu, a pressão é para que Bruxelas não inclua uma abertura no setor de carnes, sensível para diversos países. O Mercosul, porém, já deixou claro que sem carnes e etanol, não haveria um acordo.

Itens - Aos diplomatas brasileiros, os europeus já confessaram que a proposta vai conter os dois itens. Mas ainda negociam internamente qual será a cota oferecida ao bloco sul-americano.

Pressão - Nas últimas semanas, o lobby protecionista europeu tem feito pressão em diversas capitais para tentar evitar uma abertura. Na Irlanda, o setor alertou que o acordo representaria prejuízos de 2,5 bilhões de euros.

Cotas - O comissário de Agricultura da UE, Phil Hogan, chegou a prometer a produtores locais que, mesmo com uma abertura em cotas, Bruxelas colocaria exigências sanitárias sobre os produtos do Mercosul que poderiam frear um fluxo maior de bens.

Freio - No setor do leite, entidades de produtores lideradas pelo irlandês, John Comer, também insistem na necessidade de frear um acordo com o Mercosul.

Reação - A poderosa entidade que reúne todas as federações agrícolas do Velho Continente também reagiu. “Um acordo comercial com o Mercosul teria um impacto severo para a agricultura da Europa, especialmente o setor de carnes”, disse o presidente das Cooperativas Agrícolas da Europa, (COPA/COGECA), Jean-Pierre Fleury. Segundo ele, o consumo de carne na Europa já caiu em 20% nos últimos dez anos e o impacto do Brexit é uma incógnita para o setor.

Padrões - “Temos padrões de qualidade e de segurança alimentar que esses países (do Mercosul) não tem”, disse. “Registramos os movimentos individuais de animais do dia que nascem até a morte, enquanto no Mercosul apenas 10% do tempo de vida de um animal é de fato acompanhado”, afirmou.

Consequências - “Lamentamos o fato de que a Comissão Europeia tenha planos de incluir carnes em uma oferta de abertura comercial com o Mercosul”, declarou o secretário-geral da entidade, Pekka Pesonen. Segundo ele, um novo estudo do impacto do acordo com a Europa apontaria para consequências “catastróficas” de um entendimento com o Mercosul que inclua carnes. Para ele, cotas precisam ser estabelecidas. “Não podemos mais aceitar usar esse setor da agricultura da Europa como moeda de barganha para outras áreas” disse.

ACORDO: Após 18 anos, União Europeia apresenta nesta semana oferta decisiva ao Mercosul.
Fonte: Querência em Foco com O Estado de S.Paulo

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