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02 de outubro de 2017 | MENOR | MAIOR | |

Diálogo no Whats mostra empresário cobrando Silval e secretário

Celson Bezerra cobrou valor de cheques sem fundos que seriam de empresa de Carlos Avalone
Diálogo no Whats mostra empresário cobrando Silval e secretário

Relatório da Polícia Federal, no contexto da Operação Malebolge, revelou mensagens de 2015, nas quais o empresário Celson Bezerra, do ramo de factoring em Cuiabá, cobra insistentemente ao também empresário Carlos Avalone Júnior o pagamento do valor de um cheque sem fundos emitido por este e que seria pagamento de propina.

 

Bezerra também cobrou o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para que o ajudasse a receber os valores de Avalone, que é sócio da Três Irmãos Engenharia e atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico.

 

As mensagens foram obtidas através de perícia no celular de Celson Bezerra, que é investigado na operação.

 

A Malebolge, 12ª fase da Operação Ararath, foi deflagrada no último dia 14 e teve como base a delação do ex-governador Silval e de seus familiares.

 

A briga pelo recebimento do dinheiro, conforme a delação de Silval, teria origem na suposta propina paga pela Três Irmãos Engenharia, a título de “retorno” pela contratação da empresa para a execução de obras do programa de pavimentação de rodovias “MT Integrado”.

 

Silval contou que a Três Irmãos Engenharia entregou, de R$ 800 mil a R$ 2 milhões em cheques, como propina referentes às obras dos contratos firmados com a Secretaria de Infraestrutura e o “Programa de Obras Petrobras”.

 

“Os pagamentos foram realizados pelos proprietários Carlos Avalone [suplente de deputado estadual e atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico] e seu irmão Marcelo Avalone”, disse.

 

O ex-governador afirmou que repassou esses cheques ao empresário Valdir Piran, do ramo de factoring, “no intuito de pagar uma dívida”.

Os pagamentos foram realizados pelos proprietários Carlos Avalone [suplente de deputado estadual e atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico] e seu irmão Marcelo Avalone

 

 

“Vários desses cheques retornaram sem fundos, tendo Valdir Piran devolvido para mim. Eu acabei repassando parte desses cheques para Celson Bezerra, que disse ter 'facilidade em receber dos irmãos Avalone'”, contou Silval, na delação.

 

Segundo o ex-governador, os cheques foram repassados a Celson Bezerra a pedido do ex-secretário Eder Moraes. Isso porque Silval e o ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), haviam se comprometido a pagar R$ 3 milhões cada um para Eder se retratar dos depoimentos que os incriminavam nas investigações da Operação Ararath.

 

Conforme o ex-assessor de Silval, Silvio Araújo, Celson Bezerra recebeu os cheques e reclamou que os mesmos estavam sem fundos. Em uma reunião na sede da Três Irmãos, Silvio contou que Celson e o empresário Marcelo Avalone chegaram a se agredir por conta da situação.  

 

Cobranças

 

De acordo com o relatório da PF, os diálogos contidos no aplicativo WhatsApp mostram que, em razão do insucesso em receber os valores dos cheques, Celson Bezerra passou a procurar Silval Barbosa para que este “intercedesse” junto a Carlos Avalone.

 

Nas conversas, Celson pede ajuda a Silval para resolver a questão, pois está “no desespero”.

 

“No dia 18 de junho de 2015, Celson avisa Silval Barbosa que Carlos Avalone está na sala de Marcelo Maluf e pede para que Silval Barbosa vá ao encontro deles. Segundo o teor das mensagens trocadas, Silval Barbosa ainda confirma se o "Marcelo" a que Celson se refere se trata de Marcelo Maluf, fato que é então confirmado por Celson Luiz Duarte Bezerra”, diz um trecho do relatório.

 

print celson bezerra cobra silval

 

Também foram encontradas conversas entre Celson Bezerra  e Carlos Avalone, em que o primeiro cobra o segundo dos valores dos cheques emitidos pela Três Irmãos Engenharia, “principalmente após o fato mencionado por Silvio, de que no momento da discussão entre Celson e Marcelo Avalone, este teria tomado das mãos de Celson alguns cheques e não teria devolvido”.

 

No diálogo, Celson Bezerra chega a enviar a foto de um documento que, segundo a PF, “aparentemente, se trata de um cheque emitido pela Três Irmãos Engenharia que Celson havia passado adiante, mas, em razão do inadimplemento da cártula, o cheque voltou às mãos de Celson e os cobradores da divida teriam o pressionado para receber o que lhes cabia”

 

“A foto enviada por Celson também foi extraída do aparelho celular, e ao ampliá-la, a imagem aparece uma parte de um cheque de número 000668, no valor de R$ 87 mil emitido pela empresa Três Irmãos Engenharia com a assinatura de Carlos Eduardo Avalone [irmão de Carlos Avalone Júnior e também sócio da empresa] e uma anotação manuscrita ‘BOM P/ 22/01’”, diz trecho.

 

Este mesmo documento foi entregue por Silval Barbosa durante a delação e “corresponde a cópias de diversos cheques emitidos pela empresa Três Irmãos Engenharia, cheques estes recebidos a título de 'retorno' pelas obras as quais a empresa executava perante o Estado de Mato Grosso”.

 

Durante a cobrança pelo WhatsApp, Celson Bezerra trata Carlos Avalone como “Carlinhos” e diz que não quer estragar a amizade que ele têm há 40 anos, por conta da situação.

 

Após ser deixado “no vácuo”, o empresário de factoring muda o tom e reclama de não ter recebido resposta: “Vai sacaneando mais...”.

 

Por sua vez, Carlos Avalone disse que falaria com ele sobre qualquer assunto, “a não ser este”. Porém, Celson insiste que pelo menos Carlos Avalone consiga devolver os cheques pegos pelo irmão durante a discussão.

 

print conversa celson bezerra e carlos avalone

 

Outro lado

 

A redação não conseguiu entrar em contato com o secretário Carlos Avalone Júnior.

 

As mensagens enviadas para seu celular não foram lidas e as ligações caíram na caixa postal, até a edição desta matéria.

Diálogo no Whats mostra empresário cobrando Silval e secretário
Fonte: Querência em Foco com LUCAS RODRIGUES .

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