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09 de outubro de 2017 | MENOR | MAIOR | |

Nadaf: Zanata cobrou propina de R$ 200 mil de empresários.

Ex-secretário acusou sucessor de exigir dinheiro para conceder benefícios a empresas atacadistas.
Nadaf: Zanata cobrou propina de R$ 200 mil de empresários.

O ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Pedro Nadaf, acusou seu sucessor no comando da Pasta, Alan Zanata, de ter cobrado propina de R$ 200 mil a empresários do ramo atacadista, em troca da concessão de benefícios ao setor.

A acusação está contida na delação premiada de Nadaf, firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada em março deste ano pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-secretário, todavia, negou os fatos (veja ao final da matéria).

No acordo, ao qual o MidiaNews teve acesso, Nadaf se comprometeu a devolver R$ 17,5 milhões aos cofres públicos. A citação a Zanata ocorreu no 24º dos 48 depoimentos prestados pelo ex-secretário à procuradora da República Vanessa Scarmagnani, que atua no Estado.

Na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) – também delator de esquemas -, Nadaf comandou a Sicme até o final de 2012. Após ser remanejado para a Casa Civil, Alan Zanata o sucedeu na Secretaria de Indústria.

Nadaf narrou que, por ser presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), à época, conhecia muitos empresários do setor atacadista, “cujos nomes não me lembro no momento”.

Em razão do contato que mantinha com estes empresários, ele disse ter descoberto, no início de 2014, que Alan Zanata e o empresário Sérgio José Gomes, então presidente da Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores (Amad) e do sindicato da categoria, “estavam cobrando propinas de empresários do ramo atacadista no valor aproximado de R$ 200 mil”.
Sérgio José Gomes é dono da Forte Comercial Ltda., empresa que está em recuperação judicial por conta de dívidas superiores a R$ 6 milhões. Atualmente, ele é presidente do Conselho Superior da Amad e presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado de Mato Grosso (Sincad-MT).

De acordo com Nadaf, as propinas eram cobradas por conta da inserção desses empresários no sistema de estimativa segmentada (espécie de facilidade fiscal) do atacado, “eis que tal estimativa previa benefícios para o setor”.

“Para que os empresários fizessem uso desse benefício, deveriam pagar propinas para o secretário da Sicme [Alan Zanata] e para o presidente, tanto do sindicato como da associação dos atacadistas, Sérgio José Gomes. A referida estimativa foi definida na época de Eder Moraes como secretário de Fazenda”, contou Nadaf.

Em outro trecho da delação, Nadaf também citou Zanata como beneficiário de fraudes em licitações que ocorriam na Sicme.

O ex-secretário, na ocasião, contou que fraudou editais na Secretaria, em 2012, visando a arrecadar dinheiro para a organização criminosa e para o então candidato a prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB) – que foi eleito e cassado no meio do mandato pela prática de Caixa 2 -, e que tal esquema continuou na gestão de seu sucessor.

“A demora no pagamento, conforme me informou Márcio Mesquita, ex-secretário adjunto da Sicme, ocorreu em razão do meu sucessor na Sicme ter utilizado do mesmo ‘serviço fictício’, também para resolver dívidas de campanha de Walace Guimarães”, disse Nadaf.

Outro lado

O Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado de Mato Grosso (Sincad-MT), presidido por Sérgio Gomes, informou, em nota, que está tomando conhecimento dos fatos junto à sua assessoria jurídica para então se pronunciar.

Por telefone, na manhã desta segunda-feira (09), Alan Zanata negou as acusações feitas por Nadaf.

"Eu fiz parte de uma empresa do setor atacadista, durante a minha vida inteira trabalhei no setor. Quando eu fui para o Governo, já existia a estimativa. É impossível pedir qualquer coisa em uma situação como essa. Não tem nexo. Eu não respondo a nada, fiquei quase dois anos no secretaria".

"Eu não sei porque ele fez as acusações, mas quero que ele prove. Se algum empresário do setor atacadista me deu um centavo, que prove e eu respondo. Eu desconheço, fui pego de surpresa. Já existia a estimativa. Cobrar a propina depois que foi feito?".

Zanata ainda disse que sua defesa irá pedir que a Justiça disponibilize a ele uma cópia da delação de Nadaf, no intuito de ter ter acesso à íntegra das acusações.

Nadaf: Zanata cobrou propina de R$ 200 mil de empresários.
Fonte: Querência em Foco com LUCAS RODRIGUES

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