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02 de janeiro de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Promotor culpa gestões anteriores por superlotação no PS e teme um colapso

Alexandre Guedes atua na 7ª Promotoria de Justiça há 12 anos e detalha situação dos últimos anos do PS
Promotor culpa gestões anteriores por superlotação no PS e teme um colapso

falta de investimento na saúde em Mato Grosso de 2002 a 2010, período em que o desenvolvimento do Estado estava a pleno vapor, acarretou na superlotação enfrentada pelos pacientes do Pronto-Socorro de Cuiabá nos dias atuais. A análise é de Alexandre Guedes, que há 12 anos atua sozinho na 7ª Promotoria de Justiça na Capital, e em entrevista ao  fez um raio-x do PS.

“O problema é basicamente o seguinte: é uma unidade de saúde que foi construída há mais de 30 anos para uma cidade e Estado que eram muitas vezes menores do que é hoje. E não foi construído nada no lugar. Não foram construídas novas unidades. Então, obviamente que isso tudo desemboca no pronto-socorro. Aí fica extremamente difícil prestar um atendimento melhor quando você tem uma superlotação imensa”, avalia.

Gilberto Leite


Promotor Alexandre Guedes lamenta situação do pronto-socorro e culpa antigo gestores

Guedes critica o fato de nenhum hospital público ter sido construído no referido período, nem na Região Metropolitana nem no Estado. “Entre 2002 e 2010, o Estado estava com as contas em ordem, a arrecadação estava crescendo constantemente, mas não foi aumentado nada em termos de saúde”, aponta.

O promotor cita que isso já foi cobrado do Estado, mas ressalta que a decisão de construir novas unidades é do governo. “E mesmo depois disso não aconteceu nada de muito relevante. Abriu-se o Hospital Metropolitano, mas tem 70 e poucos leitos, não ajuda muito, e o hospital em Sinop. É o que tem”.

Ele tem ciência do quanto a atuação do Ministério Público é importante, mas insiste que não cabe ao órgão ministerial a competência para criar novos leitos e hospitais. “Embora todo gestor público diga que tem prioridade a saúde, a gente não vê isso na prática”, lamenta e menciona o caso do Hospital Central, que passou aproximadamente 30 anos com as obras paradas e agora sediará o novo Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac).

Comenta, ainda, uma obra iniciada no Hospital Júlio Muller, que também parou. “Uma anterior gestão do governo comprou três hospitais, um no interior e dois em Cuiabá e não os instalou como hospitais. Reformou para fazer outras coisas. Então vemos o seguinte, não há como ter uma gestão de saúde sem mais equipamentos, isso não dá para acontecer."

A população tem que reivindicar e descobrir que ela é a patroa do seu posto de saúde

Somado a isso, o promotor destca os problemas de financiamento, pois, segundo ele, quando não se financia o Hospital Regional de Cáceres ou de Rondonópolis ou de Sorriso, é natural que os pacientes venham para o Pronto-Socorro de Cuiabá.

Guedes lamenta que a unidade seja responsável pela maior demanda de sua promotoria. “Na verdade, eu deveria cuidar mesmo é das políticas públicas de saúde para que as pessoas não precisem chegar ao pronto-socorro”.

Eleições

O promotor faz um alerta com relação às eleições de 2018. Diz que é importante cobrar dos gestores, antigos e novos que vão pedir voto, o motivo pelo qual não aumentaram ou sequer planejaram o aumento dos serviços de saúde durante todos os anos que estiveram à frente do Estado.

Guedes também pontua que devem ser cobrados ainda os candidatos que hoje são deputados federais e senadores, do porque votaram o teto de gastos federal que impede que o governo federal financie mais a saúde. "Isso é um ponto, cada vez mais a União está fugindo, está diminuindo o financiamento da saúde”.

Colapso

O promotor teme que o pronto-socorro chegue a um colapso, o que para muitos já está acontecendo. “Ao contrário de certos deputados federais, acho que do jeito que está pode ficar pior, nós não chegamos ao fundo do poço. Parece, mas o fundo do poço tem sempre um alçapão. Embaixo do alçapão tem um porão e esse porão tem outro alçapão e a gente pode precarizar ainda mais. Isso eu temo, temo muito”, desabafa.

Gilberto Leite

alexandre guedes 2

Guedes diz que temepo colapso devido à má gerência

Para evitar que isso aconteça, o promotor destaca a importância tanto do MPE quanto da população, que deve cobrar seus direitos. “A população tem que reivindicar e descobrir que ela é a patroa do seu posto de saúde, ela não está submetida a ninguém e não pode trocar o voto por um exame, um remédio, uma operação, por um suposto lugar na fila porque isso custa para ela muito mais caro”.

Estrutura

Guedes conta com uma equipe técnica com duas assistentes sociais que atuam para todas as promotorias da Cidadania. Ele já atuou em Várzea Grande, Diamantino, Tangará da Serra, Colíder, Peixoto de Azevedo, Pedra Preta e Rondonópolis. Tem 24 anos de exercício no MPE. “Eu lamento que a gestão pública de Mato Grosso não tenha ao longo dos anos se planejado, não tenha tirado do papel esse discurso que saúde é prioridade e na prática não seja”.

Em 2002, o Estado era governado por Dante de Oliveira (falecido). Em 2003 assumiu Blairo Maggi (PP), que renunciou em março de 2010, dando vez ao vice Silval Barbosa (sem partido). 

Roberto França era prefeito de Cuiabá em 2002. Em 2004 foi eleito Wilson Santos (PSDB) e se reelegeu em 2008, mas renunciou em meados de 2010 e deu lugar ao vice Chico Galindo (PTB).

Promotor culpa gestões anteriores por superlotação no PS e teme um colapso
Fonte: Querência em Foco com Eduarda Fernandes.

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