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10 de abril de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Rodrigo Lombardi fala sobre 'Carcereiros': 'Aprendi a ser mais cidadão com esta série'

Ator relembrou convite para viver o personagem, que seria interpretado por Domingos Montagner
Rodrigo Lombardi fala sobre 'Carcereiros': 'Aprendi a ser mais cidadão com esta série'

Dez dias após a morte de Domingos Montagner, em setembro de 2016, Rodrigo Lombardi fez um post emocionado relatando o convite que acabara de receber: assumir o papel que seria de Montagner na série “Carcereiros”.

 

Um ano e meio depois, Lombardi vai estrear a série na TV Globo (no dia 26 de abril, às 22h30). Durante o lançamento, ele citou o amigo ao falar sobre a urgência na preparação para o projeto.

 
“Quando cheguei, a primeira coisa que fiz foi conhecer os diretores, conhecer a produtora. Aí sentei em uma cadeira e assisti ao documentário. Talvez tenha sido bom e a gente espera que o telespectador também sinta essa sensação".
 
"Tomei uma porrada e essa porrada foi o único material que tive para gravar a série. Essa experiência foi muito rica para mim”, conta.
 

Durante a produção da série, foi gravado um documentário com um grupo de carcereiros relatando suas histórias. O filme ainda não tem data de lançamento.

 

A série “Carcereiros” foi lançada em junho de 2017 para assinantes da Globo Play. Para a TV, ganhará três episódios inéditos. Livremente inspirada no livro de Dráuzio Varella, a série já iniciou as gravações da segunda temporada, que terá 12 capítulos. Ainda em 2017, foi premiada no MIPDrama Screenings, em Cannes.

 

Transformação em Adriano
 

Rodrigo citou a filmagem em ordem cronológica como ponto positivo para a construção do personagem ao longo das gravações.

 

“O Adriano vai nascendo no decorrer da série. Essa transformação, esse aprendizado, faz com que o telespectador perceba a transformação do humano nesse habitat. As pessoas se transformam. E o que essas pessoas presenciam no sistema prisional ninguém é capaz de suportar”.

 
“Fazendo o Adriano, tive que passar por um olhar para um assunto novo. Quando você mergulha nesse universo, você aprende. Não é uma questão de aceitar, não é uma questão de entender, é uma questão de humanizar. Você humaniza essas pessoas".
 
"O condenado não é um demônio. Muitas vezes, ele está ali sem precisar estar ali. Existem consequências diferentes para o mesmo crime, porque você tem mais dinheiro ou menos dinheiro. (...) Você aprende a ser humano, a raciocinar, a entender. Eu aprendi a ser mais cidadão com essa série”.
 
Ex-professor ou carcereiro
 

Ao longo dos capítulos, Janaína (Mariana Nunes), mulher de Adriano, sugere que ele retome sua antiga profissão e volte a ser professor. Para Rodrigo, o personagem não faz essa troca pois “a profissão de carcereiro tem ascensão”.

 
“O professor hoje vive em condições talvez tão insalubres quanto um carcereiro. Você vê professores sendo agredidos. Não sei se foi por esse motivo, mas achei muito bonito eles colocarem o Adriano como ex-professor".
 

"Para ele conseguir achar que a profissão de carcereiro, que é esse inferno que a gente vai mostrar, ainda é melhor do que ser professor nesse país. Não sei se foi essa intenção (dos roteiristas), mas foi o que coloquei para mim para conseguir elucidar a condição do trabalhador no Brasil”.

 

“Estamos sob um teto de vidro, estilhaçado. Só falta ruir. A gente vê o Rio de Janeiro um Estado falido, a gente vê em São Paulo a violência que cresce, no Nordeste a violência crescendo, as pessoas falando de Porto Alegre... E isso tudo reverbera no Rodrigo. Tenho medo de levar meu filho na escola. E é isso que a gente mostra na série”.

 

Rodrigo Lombardi fala sobre 'Carcereiros': 'Aprendi a ser mais cidadão com esta série'
Fonte: Querência em Foco com MARÍLIA NEVES

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