NOTÍCIA - Agronegócio

07 de maio de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Soja ainda sente pressão da China e recua nesta 2ª feira em Chicago; mercado espera novo USDA

Perto de 7h15 (horário de Brasília), os preços perdiam de 7 a 8 pontos nos principais contratos, com o julho/18 sendo negociado a US$ 10,29 por bushel. Essa é a segunda sessão consecutiva da commodity em Chicago
Soja ainda sente pressão da China e recua nesta 2ª feira em Chicago; mercado espera novo USDA

Os futuros da soja trabalham em baixa nesta segunda-feira (7) na Bolsa de Chicago. O mercado dá continuidade às baixas intensas sentidas na última sexta-feira (4), quando a informação de uma falta de acordo entre China e Estados Unidos sobre o comércio da soja pressionou as cotações de forma bastante severa.

Assim, perto de 7h15 (horário de Brasília), os preços perdiam de 7 a 8 pontos nos principais contratos, com o julho/18 sendo negociado a US$ 10,29 por bushel. Essa é a segunda sessão consecutiva da commodity em Chicago.

A falta de demanda chinesa pela soja americana motiva esse reposicionamento dos fundos investidores, como explicam analistas e consultores internacionais, ao mesmo tempo em que uma melhora das condições de clima nos Estados Unidos favorece o desenvolvimento dos trabalhos de campo.

De acordo com expectativas da consultoria internacional Allendale, Inc., o plantio da soja deverá ser reportado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no fim do dia em algo entre 9% e 11%, contra os 5% da semana passada e frente à media de 13% para o período.

"Temos um mercado direcionado pelo clima, com os preços sob pressão de previsões que indicam mais chuvas para partes das Planícies dos EUA, principalmente. No entanto, não se trata de uma total mudança de tendência", diz um analista à Reuters Internacional.

O mercado internacional se posiciona também à espera do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA traz nesta quinta-feira, 10 de maio, com suas primeiras impressões de potencial da nova safra.

Nesta segunda-feira, atenção também voltada aos números atualizados que chegam dos embarques semanais norte-americanos, também trazidos pelo departamento dos EUA.

Veja como fechou o mercado na última semana:

Soja: Apesar das baixas em Chicago, portos do Brasil têm semana positiva com demanda, dólar e prêmio

As notícias da falta de um acordo entre China e Estados Unidos em torno do comércio da soja dos dois países mudou o humor do mercado no pregão desta sexta-feira (4), levando as cotações na Bolsa de Chicago a encerrarem o dia perdendo mais de 16 pontos entre os principais vencimentos.

Dessa forma, no acumulado da semana, os contratos mais importantes na CBOT acumularam perdas que ficaram entre 1,14 e 1,85%, com a perda mais expressiva sendo sentida pelo julho/18, que é o mais negociado nesse momento, e a posição fechou com US$ 10,36 por bushel. O maio/18 perdeu os US$ 10,30.

Sobre o agronegócio, o peso também continua. Após a efetivação das tarifas chinesas sobre o sorgo americano, as especulações em torno do comércio da soja entre as duas nações cresceu muito. E nem mesmo a visita da delegação dos EUA à China nestes últimos dois dias resolveu o nó.

para o consultor de mercado Liones Severo, do SIMConsult, essa não deve ser uma notícia que o mercado receberá nos próximos dias. "Agora (um acordo) não me parece tão fácil, pelo menos no curto prazo", diz.

No entanto, Severo explica também que a "China não pode viver sem a soja americana, até porque existe nos EUA a Bolsa de Chicago, que é muito importante até que não haja uma outra bolsa na China que possa operacionalizar os negócios internacionais. É muito provável que tenhamos, em um futuro próximo, uma bolsa internacional na China, assim como eles criaram de petróleo".

O consultor afirma que o Brasil pode encontrar mais espaço ainda no mercado internacional e algumas vantagens em meio à essa disputa, porém, faz alguns alertas. "Com uma ruptura do sistema, muitas vantagens teríamos, mas não teríamos as referências mais concretas para basearmos nossos negócios".

Ao mesmo tempo em que a China vem comprando menos nos Estados Unidos nestes últimos dias, os exportadores norte-americanos também se mostram mais reticentes em seguir vendendo à nação asiática com medo de sofrer prejuízos com operações de cancelamentos.

Segundo explica John Baize, um trader agrícola internacional, ao site da CNBC, há um risco de que os vendedores dos EUA tenham sua soja já embarcada em direção aos portos chineses e as tarifações possam entrar em vigor. A medida poderia ocasionar o redirecionamento de navios e causar custos adicionais, prejudicando ainda mais as operações.

Mercado Brasileiro

Enquanto isso, o mercado brasileiro já vem registrando números impressionantes na exportação, com os embarques no intervalo de janeiro a abril mais de 29 milhões de toneladas. No line-up de maio, já há mais 11 milhões de toneladas da oleaginosa para seguirem para seus destinos e o ritmo deverá, como explicam analistas e consultores, ser mantido diante da força da demanda internacional pela commodity do Brasil.

As estimativas indicam que as exportações brasileiras nesta temporada superem as 72 milhões de toneladas.

Ademais, os dados mostram também que os produtores brasileiros estão participando do mercado, aproveitando as boas oportunidades que uma confluência de fatores trouxe para a formação dos preços no Brasil. Essa, portanto, foi uma semana de muitos e bons negócios.

Além de uma demanda externa muito forte, o dólar se mantém acima dos R$ 3,50 e os prêmios seguem superando - apesar de um recuo e acomodação recentes - US$ 1,00 sobre as referências de Chicago.

Há ainda as perspectivas de que além das exportações, a demanda interna também poderá ser maior do que o inicialmente projetado, resultando em uma disputa da indústria nacional com as exportações, dando ainda mais sustentação às cotações.

Alguns especialistas acreditam que o esmagamento brasileiro de soja possa deixar para trás a projeção de 43 milhões para alcançar até 47 milhões de toneladas, com uma demanda que chama atenção, principalmente, no setor do biodiesel.

Com isso, apesar de algumas baixas terem sido registradas em pontos do Brasil, o movimento não foi generalizado no balanço da semana feito pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes. Nos portos, os preços subiram.

No terminal de Rio Grande, a soja disponível subiu 0,46% e a referência maio/18, 0,57%. Assim, os preços ficaram em R$ 86,90 e R$ 87,50, respectivamente. Em Paranaguá, R$ 87,00 por saca no disponível.

Soja ainda sente pressão da China e recua nesta 2ª feira em Chicago; mercado espera novo USDA
Fonte: Querência Em Foco com Notícias Agrícolas.

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