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11 de maio de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Excluído de esquema teria ameaçado diretor da EIG, que pediu carro blindado

Ex-diretor da EIG, Valter Kobori, relata ameaça sofrida por Roque Anildo e pede proteção
Excluído de esquema teria ameaçado diretor da EIG, que pediu carro blindado

 

Jos� Kobori

O empresário Valter José Kobori exigiu que a Eig Mercados Ltda. (antiga FDL Serviços), empresa da qual era diretor, comprasse um carro blindado da marca Mercedes Bens, modelo E250, após, supostamente, sofrer ameaças de Roque Anildo Reinheimer, sócio da Santos Treinamentos. Ambos foram presos na operação Bônus, deflagrada na quarta (10), e que investiga esquema de fraude à licitação e cobrança de propina no Detran. As ameaças teriam iniciado após, a Santos ser retirada do esquema.

De acordo com o Gaeco, a organizaçãocriminosa se utilizava do contrato da empresa EIG com o Detran para lavar dinheiro e receber propina. O objetivo do esquema era formar uma rede de proteção para garantir o "repasse" ilícito, acertada em 30% do valor recebido pela empresa. Esse dinheiro era repassado por intermédio de empresas fantasmas, criadas em nome de membros da organização. O Gaeco calcula que mais R$ 30 milhões tenham sido pagos a título de vantagem indevida.

O esquema teve continuidade com a mudança de governo de Silval Barbosa (sem partido) para Pedro Taques (PSDB), passando a contar com a participação de Paulo César Zamar Taques (ex-secretário-chefe da Casa Civil) e seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques, ambos primos do governador. Não há indícios da participação do chefe do Executivo estadual neste caso.

Segundo o Gaeco, a propina saía da empresa EIG, passava pela Santos e chegava até Claudemir Pereira dos Santos, considerado um “espectro” do deputado estadual Mauro Savi (DEM). Supostamente a mando do parlamentar, Claudemir dava direcionamento à propina de modo a beneficiar o deputado sem que ele se vinculasse diretamente com o dinheiro. Nesta dinâmica, cabia a Claudemir emitir cheques que seriam utilizados para pagamentos pessoais de Savi.

Com o final da Gestão Silval, essa logística seria interrompida e a Santos descartada. Ao Gaeco, um dos delatores do esquema, o empresário José Ferreira Gonçalves Neto, disse que a ordem para interromper a lavagem de dinheiro por meio da Santos partiu de Kobori. Essa informação consta da decisão do desembargador  José Zuquim, do Tribunal de Justiça, que autorizou a deflagração da operação.

Ainda nos últimos meses da gestão de Silval, o novo modelo de esquema foi acertado. Nesse contexto, a EIG contratou Kobori como Chief Executive Officer. Caberia a ele receber pessoalmente a propina sob título de “bônus” (daí o nome da operação), e repassar o dinheiro diretamente para Paulo Taques, que se tornou homem forte no governo, em 2015. Proprietários da EIG contam que essas negociações foram feitas antes mesmo do resultado das eleições de 2014, quando Taques foi eleito.

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Trecho da decisão do desembargador José Zuquim no ãmbito da operação Bônus, na qual a ameaça sofrida pelo CEO da EIG Valter Kobori é detalhada

Com relação a Roque Anildo, ainda na Gestão Silval, o MPE aponta que ele integrava o núcleo de operações da organização criminosa e seria uma das peças centrais do esquema, “tendo participado de sua construção desde o início, contribuindo para a atuação dissimulada de vários dos investigados, dando suporte para a ocultação deles e para apagar os rastros dos supostos crimes perpetrados”.

Além das supostas ameaças contra Kobori, que até o momento não foram detalhadas, Roque também teria passado a extorquir, já em 2017, os sócios da EIG, exigindo o pagamento de R$ 50 mil mensais, sob a ameaça de se utilizar de sua influência política junto à Assembleia para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato entre a EIG com o Detran.

Excluído de esquema teria ameaçado diretor da EIG, que pediu carro blindado
Fonte: Querência Em Foco com Eduarda Fernandes

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