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14 de maio de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Deputados distritais mudaram de partido 19 vezes desde eleições de 2014

Só metade dos distritais se manteve nas legendas de origem. Veja 'mapa de sala' da Câmara, que mostra quem é base e quem é oposição.
Deputados distritais mudaram de partido 19 vezes desde eleições de 2014

Desde que os deputados distritais assumiram os atuais mandatos, após as eleições de 2014, as siglas impressas no crachá de cada um não pararam de rodar. Ao todo, foram 19 mudanças de partido.

Levantamento do G1 mostra que metade dos parlamentares trocou de legenda no período – 11 dos 24 distritais. Portanto, menos da metade se manteve “100% fiel” ao projeto partidário prometido durante a campanha.

Seis deputados da Câmara Legislativa mudaram de sigla duas vezes – ou seja, representaram três partidos diferentes desde o começo desta legislatura. Veja as mudanças abaixo, por ordem alfabética.

 

Mudanças

 

 

  1. Agaciel Maia: PTC → PR
  2. Bispo Renato Andrade: PR (não mudou)
  3. Celina Leão: PDT → PPS → PP
  4. Chico Leite: PT → Rede
  5. Chico Vigilante: PT (não mudou)
  6. Cláudio Abrantes: PT → Rede → PDT (após um ano sem partido)
  7. Cristiano Araújo: PTB → PSD
  8. Joe Valle: PDT
  9. Juarezão: PRTB → PSB
  10. Julio Cesar: PRB (não mudou)
  11. Liliane Roriz: PRTB → PTB → Pros
  12. Lira: PHS (não mudou)
  13. Luzia de Paula: PEN → Rede → PSB
  14. Professor Israel: PV (não mudou)
  15. Professor Reginaldo Veras: PDT (não mudou)
  16. Rafael Prudente: MDB (antigo PMDB; não mudou)
  17. Raimundo Ribeiro: PSDB → PPS → MDB
  18. Ricardo Vale: PT (não mudou)
  19. Robério Negreiros: MDB → PSDB → PSD
  20. Rodrigo Delmasso: PTN (rebatizado de Podemos) → PRB
  21. Sandra Faraj: SD (não mudou)
  22. Telma Rufino: PPL → Pros (após ser expulsa)
  23. Wasny de Roure: PT (não mudou)
  24. Wellington Luiz: MDB (não mudou)

 

Por causa das migrações, oito partidos acabaram “sumindo” da representatividade da Casa: PSDB, PTC, PPL, PRTB, PTB, PPS, PEN e PTN/Podemos.

 

'Mapa de sala'

 

Veja abaixo como fica o atual quadro da "queda de braço" política na Câmara.

 

Composição atual das tendências políticas na Câmara Legislativa (Foto: Arte/TV Globo)

 

Fora da curva

 

A maioria dos deputados trocou de partido e já emendou em outro. O caso mais incomum é o do deputado Cláudio Abrantes, que ficou um ano sem legenda. Ele saiu do PT e se filiou à Rede em setembro de 2015, mas deixou o partido em maio de 2017 porque não queria mais apoiar o governo. Só em abril deste ano é que se filiou à atual agremiação, o PDT.

Ao G1, a equipe do distrital justificou as mudanças. “Abrantes acredita que a relação com um partido nada mais é que um casamento, que precisa estar em harmonia e ter a mesma intenção, sonhos, ideais e ideias das duas partes. Nas duas vezes que deixou os partidos, o deputado não tinha mais essa harmonia e projetos comuns.”

 
Claudio Abrantes discursa em plenário da Câmara Legislativa (Foto: Divulgação/Mardonio Vieira)Claudio Abrantes discursa em plenário da Câmara Legislativa (Foto: Divulgação/Mardonio Vieira)

Claudio Abrantes discursa em plenário da Câmara Legislativa (Foto: Divulgação/Mardonio Vieira)

A distrital Telma Rufino só saiu do PPL porque foi expulsa do partido, por unanimidade, em agosto de 2015. O motivo foi a acusação de suposto envolvimento em fraudes bancárias para financiamento de campanha e fraude em diplomas. Apesar disso, ganhou o direito ao mandato, também por unanimidade, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ela se filiou ao Pros em dezembro de 2016.

“Fui expulsa do partido, pois não aceitei as imposições de lotear o meu gabinete com os membros da alta cúpula do PPL. Isso gerou um conflito com a direção da legenda. Quanto ao governo, continuo na base e tenho tentado colaborar com os projetos que beneficiam a população. E estar na base não significa não discutir e tentar melhorar as propostas que chegam do Executivo”, disse a distrital. O G1 não conseguiu contato com o PPL.

 

A deputada distrital Telma Rufino, da CLDF (Foto: Mardonio Vieira/Divulgação)A deputada distrital Telma Rufino, da CLDF (Foto: Mardonio Vieira/Divulgação)

A deputada distrital Telma Rufino, da CLDF (Foto: Mardonio Vieira/Divulgação)

 

Janela partidária

 

A janela partidária é um período de 30 dias, previsto em lei, no qual deputados federais, estaduais e distritais podem mudar de partido sem a possibilidade de perder o mandato por infidelidade partidária.

Além disso, até seis meses antes das eleições, os candidatos aos cargos em disputa nas urnas precisam estar filiados ao partido pelo qual vão concorrer aos cargos. A última janela terminou à meia-noite de 6 de abril.

Ao trocar de sigla, os parlamentares e partidos miram as eleições de 2018. Mas, além das questões eleitorais, as mudanças alteram o tamanho das bancadas com representação na Casa, provocando efeitos já nos trabalhos da Câmara Legislativa.

 
Urna eletrônica em local de votação (Foto: José Cruz/Agência Brasil)Urna eletrônica em local de votação (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Urna eletrônica em local de votação (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Nas discussões e votações, o tamanho da bancada é o critério, por exemplo, para o tempo de discurso dos líderes, para a apresentação de destaques e de requerimentos de urgência.

A legislação eleitoral determina que os parlamentares só podem mudar de legenda nas seguintes situações:

 

  • incorporação ou fusão do partido;
  • criação de novo partido;
  • desvio no programa partidário;
  • grave discriminação pessoal.

 

Mudanças de legenda sem essas justificativas podem levar à perda do mandato. A reforma eleitoral de 2015 incluiu nas normas eleitorais a janela partidária a seis meses da eleição.

Veja mais notícias sobre a região no G1 DF.

Deputados distritais mudaram de partido 19 vezes desde eleições de 2014
Fonte: Querência Em Foco com Gabriel Luiz, G1 DF

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