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17 de maio de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Gestores da Papuda, em Brasília, são processados por regalia a presos do mensalão

Diretores permitiram visitas fora das regras gerais, diz MP na ação de improbidade. Grupo já responde por corrupção passiva; sindicato nega favorecimento.
Gestores da Papuda, em Brasília, são processados por regalia a presos do mensalão

O Ministério Público do Distrito Federal pediu à Justiça que condene, por improbidade administrativa, quatro ex-diretores do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Eles são acusados de favorecer presos ligados ao mensalão do PT com visitas indevidas, fora das regras usuais. A ação cita pelo menos quatro episódios, com "regalias" a José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Marcos Valério.

Os gestores também respondem a uma ação penal por corrupção passiva, baseada nos mesmos casos. Os dois processos tramitam na Justiça do Distrito Federal, e não há prazo para o julgamento.

 
Construção de dois blocos no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Penitenciária da Papuda, em Brasília (Foto: Gabriel Jabur/GDF/Reprodução)

Construção de dois blocos no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Penitenciária da Papuda, em Brasília (Foto: Gabriel Jabur/GDF/Reprodução)

Um dos processos cita três delegados da Polícia Civil do DF que ocupavam postos de direção na Papuda em 2014 – quando as visitas ocorreram: João Helder Ramos Feitosa, Marcony Geraldo Mohn e Elivaldo Pereira de Melo. O agente de Polícia Civil Wilton Borges da Silva completa a lista.

Em nota à TV Globo, o sindicato dos delegados da corporação disse que fará a defesa técnica dos colegas e "confia no reconhecimento da inocência deles". O G1 e a TV Globo tentam contato com a defesa do agente.

 

O que diz a ação?

 

No processo, o MP afirma que Wilton, então chefe da Gerência de Inteligência do sistema penitenciário do DF, teria sido influenciado por José Dirceu e pela filha dele, Joana Saragoça. Com isso, ela teria conseguido "furar a fila" nos dias de visita, acessando a Papuda sem passar por revista.

 

 

O ex-ministro José Dirceu ao chegar ao prédio onde morou, em Brasília, depois de ter sido libertado da prisão no Paraná, em maio do ano passado (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

O ex-ministro José Dirceu ao chegar ao prédio onde morou, em Brasília, depois de ter sido libertado da prisão no Paraná, em maio do ano passado (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

O então diretor do Centro de Internação e Reeducação (CIR), Marcory Mohn, é acusado de ser "condescendente" com a atuação de Wilton nesse caso. Ele teria repetido a conduta, diz o MP, em outras visitas ilegais concedidas a Genoíno, Delúbio e Dirceu – desta vez, supostamente articuladas pelo coordenador-geral de presídios José Helder Ramos Feitosa.

Em todos esses casos, o MP afirma que os delegados foram à entrada do complexo prisional para autorizar o acesso dos visitantes – Joana teria até pegado carona com Wilton para se encontrar com o pai.

 
Marcos Valério chega à sede da Polícia Federal, em Belo Horizonte. (Foto: Pedro Ângelo/G1)

Marcos Valério chega à sede da Polícia Federal, em Belo Horizonte. (Foto: Pedro Ângelo/G1)

O publicitário Marcos Valério está preso em outra seção da Papuda. De acordo com o MP, ele também recebeu visitas fora do padrão na Penitenciária do Distrito Federal II (PDF II), com a conivência do então diretor da unidade, Elivaldo Ferreira de Melo. O acesso, mais uma vez, teria sido articulado por João Helder.

Gestores da Papuda, em Brasília, são processados por regalia a presos do mensalão
Fonte: Querência Em Foco com G1 DF e TV Globo

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