NOTÍCIA - Agronegócio

01 de junho de 2018 | MENOR | MAIOR | |

ECONOMIA: Em ritmo mais lento, PIB pode ter crescido só 0,3% no 1º tri

Segundo a estimativa média de 24 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Produto Interno Bruto (PIB) subiu apenas 0,3% entre o quarto trimestre de 2017 e o primeiro de 2018, feitos os ajustes sazonais
ECONOMIA: Em ritmo mais lento, PIB pode ter crescido só 0,3% no 1º tri

A reação mais consistente da atividade ensaiada no fim de 2017 teve vida curta. Enquanto os dados do primeiro trimestre jogaram uma pá de cal em perspectivas otimistas para o crescimento no período, a piora do ambiente externo e a incerteza eleitoral são fatores de risco que podem reduzir ainda mais as projeções para o restante do ano. Segundo a estimativa média de 24 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Produto Interno Bruto (PIB) subiu apenas 0,3% entre o quarto trimestre de 2017 e o primeiro de 2018, feitos os ajustes sazonais. Nos últimos três meses do ano passado, o PIB aumentou 0,1%.

Previsões - As previsões para as Contas Nacionais Trimestrais, a serem divulgadas nesta quarta-feira (30/05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vão de alta de 0,2% a 0,5%. No início do ano, essa expectativa girava em torno de 1%. A maior parte dos componentes do PIB deve desacelerar ante o quarto trimestre, com exceção das exportações e da agricultura. As taxas na comparação com o mesmo período de 2017 também devem ser menores que as verificadas nos últimos três meses do ano passado.

Ritmo mais fraco - Com o ritmo fraco já consolidado na abertura do ano e sinais igualmente frágeis para o segundo trimestre, os cortes nas previsões para a alta do PIB em 2018 - hoje em 2,4%, pela média dos analistas - devem prosseguir. Mais recentemente, o desabastecimento causado pela greve dos caminhoneiros reforçou a possibilidade de que a economia não deslanche nos próximos meses.

Baixa - "Temos um PIB de 2% para o ano [revisto de 3,2%], mas o risco é de baixa. A mediana do Focus está em 2,4%, mas a discussão mais relevante está mais próxima de 2% e acho justificável falar em números abaixo disso", afirma Marco Caruso, economista-chefe do Banco Pine.

Projeção - A instituição prevê alta de 0,3% para o PIB do primeiro trimestre. No início do ano, a projeção era de 0,9%. Para a MCM Consultores, a frustração com o crescimento de janeiro a março foi substancial. "Isso, por si só, terá repercussão negativa sobre nossa projeção de crescimento para 2018", afirmam economistas da empresa, em relatório. A consultoria também prevê avanço de 0,3% no PIB do primeiro trimestre, estimativa revisada de uma alta inicial de 1,2%. Para o ano, estima 3%.

Ibre - No piso das projeções, o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) trabalha com expansão de 0,2% no primeiro trimestre. "Os dados de indústria vieram bem abaixo das expectativas da maior parte dos analistas, enquanto o setor de serviços continua com desempenho demasiadamente fraco", afirmam as economistas Silvia Matos e Luana Miranda. Para a indústria, o Ibre estima queda de 0,5% nos três primeiros meses do ano, com alta da extrativa mineral e da eletricidade. A construção civil continuou a cair (- 0,7%). O segmento de transformação ficou praticamente estagnado (-0,1%).

Serviços- Responsável por cerca de 70% do PIB, os serviços aumentaram apenas 0,2% na passagem trimestral, mesma variação registrada na medição anterior. De acordo com Silvia, a retomada a passos lentos do mercado de trabalho tem ditado uma alta também mais frágil da renda, o que explica a velocidade comedida dos serviços. A redução dos spreads bancários foi menos intensa do que o previsto, outro fator que atuou contra uma recuperação mais forte do setor, acrescentou.

Agronegócio - O PIB agropecuário foi a única surpresa positiva no começo do ano para o Ibre, que projeta aumento de 1,6% entre o quarto trimestre de 2017 e o primeiro deste ano para o segmento. "As projeções de safra referentes a 2018 apontam queda da produção agrícola, mas as informações preliminares do abate de bovinos indicam que a pecuária poderá sustentar um crescimento do setor", dizem Silvia e Luana.

Demanda - Pela ótica da demanda, o comportamento negativo da construção civil se refletiu nos investimentos. A entidade estima que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa) subiu 0,2% de janeiro a março, após expansão de 2% de outubro a dezembro de 2017.

Consumo das famílias - O consumo das famílias também desapontou, com alta de 0,1% no primeiro trimestre, estima o Ibre. "Ainda que nossos modelos apontem expansão de 2,8% do consumo no ano, reconhecemos que o desempenho futuro é incerto devido ao menor repasse da queda dos juros aos consumidores e à exaustão do impulso gerado pela liberação dos recursos do FGTS", afirmam as economistas da entidade.

Principal decepção - Caruso, do Pine, também aponta o consumo como principal decepção no lado da demanda. Em sua visão, essa parte do PIB recuou 0,1% no início do ano. "Houve perda de fôlego da ocupação e da massa salarial real, além do menor ímpeto na queda de juros para a pessoa física", diz.

Setor externo - Para o setor externo, o economista ainda espera números bons de exportação, que devem ter crescido 2%. Como, porém, as importações também aumentaram em igual magnitude, o saldo líquido para o PIB foi negativo. A importação reflete o avanço dos investimentos em máquinas e equipamentos, geralmente comprados no exterior, explica.

Contribuição negativa - Jankiel Santos, economista-chefe do banco chinês Haitong, também vê contribuição negativa do setor externo no primeiro trimestre. "Aparentemente, o que estamos vendo é que essa expansão de consumo e de investimento acabou sendo atendida pelo setor externo [via importação] e não pelo doméstico."

Estimativa - O Haitong estima alta de 0,3% para o PIB de janeiro a março e de 2,2% no ano - número que tem sido mantido desde o fim do ano passado e, agora, tem viés de baixa. Considerando a previsão para os primeiros três meses, é necessário um crescimento médio de 1,1% do segundo ao quarto trimestre do ano para chegar a 2,2% na média de 2018. "Não parece ser o caso de termos já no segundo trimestre um resultado desses", pondera Santos.

Fôlego - Assim, seria preciso um ganho de fôlego ainda maior no segundo semestre para compensar a fraqueza da primeira metade do ano. "Supomos que haverá aceleração, à medida em que os efeitos de política monetária sejam transferidos em maior intensidade para a economia doméstica. Agora, supor que passaremos de 0,3% para um número muito mais forte lá no final do ano, não parece plausível a essa altura do campeonato", avalia. Daí a percepção de que o PIB deve crescer ainda menos no ano do que a projeção atual, de 2,2%

ECONOMIA: Em ritmo mais lento, PIB pode ter crescido só 0,3% no 1º tri
Fonte: Querencia em Foco com Portal Paraná Cooperativo internacional.

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