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04 de junho de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Procuradora do Estado nega ter “lavado” R$ 45 mil a Pedro Henry

Marilci Malheiros é esposa de Marcelo Costa, ex-sócio da Santos Treinamento
Procuradora do Estado nega ter “lavado” R$ 45 mil a Pedro Henry

A procuradora do Estado Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva, em depoimento, negou a acusação de que teria “lavado” um total de R$ 45,1 mil de propina da EIG Mercados ao ex-deputado federal Pedro Henry. 

 

A acusação contra ela consta na denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) derivada da Operação Bereré, que apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito do Detran-MT, na ordem de R$ 30 milhões, que operou de 2009 a 2015.

 

Segundo as investigações, parte dos valores repassados pelas financeiras à EIG Mercados por conta do contrato com o Detran retornava como propina a políticos e empresários, dinheiro esse que era “lavado” pela Santos Treinamento – parceira da EIG no contrato - e por servidores da Assembleia, parentes e amigos dos investigados.

 

Pedro Henry – que já foi condenado no caso do Mensalão - é apontado como um dos líderes do esquema e teria sido o responsável por articular a parceria entre a EIG e a Santos Treinamento, no intuito de viabilizar o “propinoduto”.

 

Conforme o MPE, o empresário Marcelo Costa e seu irmão, o advogado Antonio Costa, sócios da Santos, eram os responsáveis por receber a propina destinada ao político. A procuradora Marilci Malheiros é esposa de Marcelo Costa e, de acordo com a denúncia, teria contribuído com a lavagem da propina a pedido do marido e do cunhado.

Marcelo dizia que possuía dívidas e que, por não possuir crédito nos bancos, acabou utilizando minha conta bancária

 

Marilci também é sobrinha do ex-deputado estadual João Malheiros, que foi denunciado na mesma investigação pela acusação de ter recebido R$ 54 mil de propina para fazer “vistas grossas” ao contrato fraudulento entre a EIG e o Detran-MT.

 

Sem ilicitude

 

Em depoimento dado em abril ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Marilci Malheiros disse desconhecer qualquer ilicitude nas transações envolvendo sua conta.

 

A procuradora alegou que como seu marido Marcelo Costa tinha restrições bancárias, ele usava a conta dela por conta da facilidade de crédito que tinha perante os bancos. 

 

Ela disse que as transações feitas e recebidas envolvendo os nomes investigados na operação foram realizadas ou por seu marido ou a pedido dele.

 

"Quero deixar consignado que Marcelo, durante o período investigado, tinha algumas restrições em seu nome. Marcelo dizia que possuía dívidas e que, por não possuir crédito nos bancos, acabou utilizando minha conta bancária. Não tenho conhecimento que os valores recebidos tinham origem ilícita". 

 

Para corroborar a versão, ela apresentou diversos documentos, entre eles um que provaria que a caminhonete usada por seu marido foi financiada em seu nome. Marilci afirmou que até o celular de Marcelo está com a linha registrada em sua titularidade.

 

"Com o objetivo de comprovar que Marcelo pagava suas contas utilizando, por vezes a conta da interroganda, faz juntada de um extrato da Unimed no qual consta Marcelo como dependente da interroganda", diz trecho do depoimento. 

 

A suposta lavagem

 

A denúncia narra que Marilci Malheiros colaborou com a lavagem do dinheiro a Henry em 2010 e em 2014.  

 

O MPE afirmou que a primeira lavagem ocorreu em 24 de dezembro de 2010, quando o operador financeiro Francisco Ferres (Chico Badotti) e sua irmã Silvana Ferres, da Invest Fomento Mercantil Ltda, descontaram na conta bancária da empresa um cheque de R$ 13 mil emitido pela procuradora, “para o fim de ocultar a origem e a propriedade de tal valor”.

 

Rafael Badotti descontou em sua conta bancária um cheque emitido por Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva, a pedido de Marcelo da Costa e Silva, seu esposo, no valor de R$ 22.110,00 para o fim de ocultar a origem e a propriedade de tal valor

Chico Badotti e Silvana Ferres também foram denunciados sob a acusação de integrarem um grupo autônomo que ajudava a organização criminosa a fazer a lavagem do dinheiro aos envolvidos.

 

A pedido do marido e do cunhado, diz a denúncia, Marilci Malheiros fez outra transferência bancária de R$ 10 mil, em julho de 2014, no intuito de lavar mais dinheiro a Pedro Henry.

 

O valor teve como beneficiário o Jornal Resumo On-line Ltda –ME, do empresário Roberto Abrão Júnior que, por sua vez, repassou o montante para sua sócia Ivanilda Henry, esposa do ex-deputado federal, “a fim de ocultar o verdadeiro proprietário e destinatário do dinheiro, Pedro Henry Neto”.

 

“No mesmo sentido, na data de 04 de novembro de 2014, consciente da origem do dinheiro, Rafael Badotti descontou em sua conta bancária um cheque emitido por Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva, pedido de Marcelo da Costa e Silva, seu esposo, no valor de R$ 22.110,00 para o fim de ocultar a origem e a propriedade de tal valor”.

 

Ainda na investigação, constam repasses considerados suspeitos recebidos pela procuradora, entre eles uma transferência de R$ 25 mil feita em 2009 pela EIG Mercados.

 

Já em 2013, Marilci foi beneficiária de um cheque de R$ 10 mil emitido pelo deputado José Botelho, ex-sócio da Santos Treinamento e denunciado como um dos líderes do esquema.

 

Ela recebeu, em fevereiro de 2015, uma transferência de R$ 20 mil de Roberto Abrão, pai do empresário Roberto Abrão Junior, sócio da esposa de Pedro Henry.

 

O relatório também mostrou que a procuradora recebeu R$ 556,2 mil de seu cunhado Antônio Costa (que ainda é sócio da Santos), R$ 60,1 mil de seu cunhado Igor da Costa e Silva (sócio da esposa de Henry e ex-sócio de Botelho) e R$ 100,9 mil de seu marido Marcelo Costa.

 

Operação Bereré

 

A segunda fase da Operação Bereré resultou na prisão dos seguintes alvos: o deputado estadual Mauro Savi (DEM); o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques e seu irmão Pedro Jorge Taques; os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, proprietários da Santos Treinamento; e o empresário José Kobori, ex-diretor-presidente da EIG Mercados.

 

De acordo com as investigações, entre os meses de julho e agosto do ano de 2009, quando Teodoro Moreira Lopes o “Dóia” ocupava o cargo de presidente do Detran, foi convocado para uma reunião no gabinete do deputado Mauro Savi. No local estavam presentes, além do parlamentar, Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, ambos investigados no caso.

 

Na ocasião, Marcelo Silva e Roque Anildo teriam oferecido a Dóia a execução da atividade de registro junto ao Detran dos contratos de financiamento de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil, de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor dizendo que apresentariam ao então presidente da EIG Mercados.

 

Conforme, o MPE, na ocasião a empresa se oferecia a formular contrato administrativo com o Detran para prestar o serviço de registro de contratos junto à entidade de trânsito. Na oportunidade, um dos sócios da empresa, a fim de garantir a prestação de serviços, teria se comprometido a repassar o valor equivalente ao pagamento de um mês às campanhas eleitorais do deputado Mauro Savi e do então governador Silval Barbosa.

 

pedro henry no gaeco

Pedro Henry foi o beneficiário de propina lavada por procuradora, diz MPE

Os promotores dizem que a promessa teria sido cumprida no valor de R$ 750 mil para cada um dos candidatos, logo após a assinatura do contrato.

 

Para que a empresa fosse a vencedora do edital, na época o antigo presidente do Detran determinou que a comissão de licitações do Detran confeccionasse o edital de licitação nos mesmos moldes que a empresa FLD Fidúcia - hoje EIG Mercados - já havia vencido no Piauí. Desde então, segundo o MPE, a empresa é responsável pelo pagamento de propinas a organização ciminosa.

  

Consta nas investigações que após a assinatura do contrato administrativo, "Mauro Savi, Claudemir Pereira dos Santos, Teodoro Lopes e outros investigados se organizaram a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede de proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias da parte da FDL, propina na ordem de 30% (trinta por cento) do valor recebido pela FDL do Detran repassado por intermédio de empresas fantasmas que foram criadas em nome dos integrantes da rede de proteção do contrato".

 

"Esquema que teve continuidade com a mudança de Governo e a participação de Paulo César Zamar Taques e seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques", afirmou o MPE.

  

Os promotores explicam que no ano de 2015 - quando Silval da Barbosa deu lugar ao atual governador Pedro Taques -, ao ter informações do esquema de recebimento de propinas operado dentro do Detran, Paulo Taques e Pedro Zamar Taques - primos do governador - apropriaram-se do esquema de recebimentos,  com ajuda de Valter José Kobori.

  

Em depoimento colhido junto a um dos proprietários da empresa EIG Mercados Ltda, foi revelado ao MPE que após acertar os pagamentos com a antiga gestão Silval Barbosa a EIG Mercados contratou Valter Kobori como CEO (Chief Executive Officer). Desde então seria ele a pessoa responsável em receber pessoalmente a propina sob título de bônus pelos serviços pessoais prestados a empresa e repassar o dinheiro para Paulo Taques.

 

Segundo o depoimento as negociações foram feitas antes mesmo do resultado das eleições de 2014 onde Valter Kobori já havia combinado com Paulo Cesar Zamar Taques o auxílio para manutenção do esquema.

Procuradora do Estado nega ter “lavado” R$ 45 mil a Pedro Henry
Fonte: Querência Em Foco com LUCAS RODRIGUES.

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