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11 de junho de 2018 | MENOR | MAIOR | |

A um mês das convenções, Leitão diz que faltou “pulso” para Taques tocar a Saúde e nega recuo de candidatura

A um mês das convenções, Leitão diz que faltou “pulso” para Taques tocar a Saúde e nega recuo de candidatura

“A melhor defesa é a verdade. Aquilo que dá certo se enaltece, aquilo que dá errado se critica”. A declaração partiu do deputado federal Nilson Leitão (PSDB), pré-candidato ao Senado pela chapa do governador Pedro Taques (PSDB), a quem o tucano e colega de sigla não poupou uma análise firme e que, segundo ele, são a marca de sua personalidade na vida pública. Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, o parlamentar negou, ainda, que vá desistir de sua candidatura ao Senado para abrir espaço no arco de aliança do governador.

Leitão, que exerce seu segundo mandato como deputado federal, destacou que um de seus principais legados quando foi prefeito de Sinop, entre os anos de 2001 e 2008, diz respeito a avanços na Saúde, área que ele considera o ‘calcanhar de Aquiles’ da atual gestão do Governo do Estado.



“A relação com Pedro é uma relação de opinião de Governo. Tem muita coisa que eu não concordava, na Saúde principalmente. Foi público, um jogo muito franco com o governador Pedro Taques. Você para se ter uma relação política com alguém, não precisa concordar com tudo que ele faz. Eu discordo de muita coisa que o Pedro Taques fez, como discordo de muita coisa que Fernando Henrique fez, como discordo de temas do meu partido. O único lugar que você precisa dizer amém, uma palavra única, é na igreja”, disse o deputado, ao esclarecer suposta crise no PSDB, ventilada pela imprensa nos últimos meses.

Considerado um dos principais nomes ao Senado nas eleições deste ano, Leitão avaliou o cenário em Mato Grosso para o pleito e considerou quais são, em sua opinião, os candidatos com chances de ocupar a segunda vaga da senatoria, caso ele ganhe a primeira.

Veja a íntegra da entrevista com o deputado, que inclui ainda suas principais propostas e sublinha sua atuação como presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que lhe permitiu notoriedade a nível nacional.

OD – Esta semana houve uma indisposição da bancada federal com o Governo do Estado, por causa de uma reunião reivindicada pelo senhor. Como anda essa relação bancada x governo?

Eu fui oposição por 12 anos, mas nunca deixei de participar de qualquer assunto que fosse importante para Mato Grosso, mesmo que fosse com a oposição. Durante o Governo Silval eu nunca deixei de participar de reuniões com o Governo, eu acho que não é por aí. Mas nós estamos em uma pré-campanha e, dentro disso, nós temos na bancada pré-candidatos a governador, ao Senado, a deputado federal, em grupos de oposição. É normal essa anti-relação. O que cabe ao Governo é tentar minimizar isso, amenizar isso, evitando erros. Tem que convidar para tudo, para que não haja esse tipo de conflito.

OD - Uma das grandes preocupações dos principais grupos que se articulam para montar chapa nessas eleições é a quantidade de nomes fortes pleiteando cargos ao Senado. Como o PSDB está se organizando nesse sentido?

A minha candidatura ao Senado não é uma imposição, é uma construção. Eu fui convidado por este mesmo grupo que elegeu o governador Pedro Taques em 2014, à época eu preferi optar pela minha reeleição. Quando o Pedro Taques se filiou ao PSDB em 2015, informei a ele que seria candidato em 2018 ao Senado, a não ser que eu não tivesse condições eleitorais, tanto de apelo quanto legal. Ambos eu estou. Não me coloco acima de nenhum outro concorrente, mas também não me coloco como menor ou me deprecio diante disso. Acho que é serviço prestado. Os outros nomes também têm condições de disputar a vaga, mas são pelo menos duas vagas. Dos seis nomes que considero fortes em Mato Grosso, além do meu, vejo que para a outra vaga que sobra, sobrariam quatro [nomes fortes]. Desses quatro sobrariam dois ou três que já se colocaram como adversário, então obviamente não estou atrapalhando a vida de ninguém.

OD - Havia rumores de que o senhor e o governador Pedro Taques estavam com a relação abalada, falava-se inclusive em racha no partido. Como está essa situação atualmente?

O meu problema com o governador sempre foi claro, falei isso publicamente. Não foi por vaga de Senado, nunca discutimos vaga de Senado, até porque como disse, eu o comuniquei em 2015, e o partido apóia isso. Eu fui presidente do PSDB até novembro, passei o bastão para o Paulo Borges. Nas eleições de 2016 participei ativamente em praticamente todos os municípios. Fizemos eleições em 40 cidades, fizemos 20 vice-prefeitos, 40 prefeitos. Isso tudo apenas acrescentou pelo o que eu vinha construindo no partido, pelo diretório, a relação com os vereadores, com os deputados e tudo mais. E com toda essa militância partidária que conseguimos fazer. A relação com Pedro é uma relação de opinião de Governo, tem muita coisa eu que não concordava, na Saúde principalmente. Foi público, um jogo muito franco com o governador Pedro Taques. Você para se ter uma relação política com alguém, você não precisa concordar com tudo que ele faz. Eu discordo de muita coisa que o Pedro Taques fez, como discordo de muita coisa que Fernando Henrique fez, como discordo de temas do meu partido. O único lugar que você precisa dizer amém, uma palavra única, é na igreja. Você fala amém para Deus, o restante você tem que discordar, combater, se não você não faz política, vai apenas bater palma. Eu não estou na política para bater palma, nem quero ser aplaudido. Eu estou na política para fazer aquilo que eu acredito e defender aquilo que eu acredito. Aquilo que o Governo não vai bem, eu critico. Não é um afronta, pelo contrário, é uma colaboração. 

OD – Se o senhor tivesse que elencar pontos positivos e negativos da atual gestão do Governo de Mato Grosso, quais seriam?

Eu não gosto muito de fazer esse tipo de avaliação, mas eu acho que o próprio governador sabe que na Saúde faltou uma gestão mais firme, moderna e acima de tudo uma compreensão do legado negativo que ele recebeu. Não houve essa compreensão no primeiro ano de mandato, depois acabou somando para os outros anos e a Saúde não virou. Não aconteceu aquilo que eu imaginava. Fiquei 12 anos na oposição politizando, então eu não posso ficar na crítica do passado, sem o elogio de hoje. Não dá para ser, porque não aconteceu a melhoria que eu esperava. É uma área que eu atuei muito como prefeito. Eu fui muito homenageado no meu mandato como prefeito por ter feito varias coisas na área da Saúde que fizeram a diferença. Essa é a grande diferença que precisa ser colocada. Eu acho que faltou no Governo e não no governador, pessoas que sentem à sua frente e tenham um bom diálogo, uma boa situação. Faltou um ambiente de relacionamento político, quem sabe até das assessorias, um relacionamento mais franco com a classe política, com os adversários, com a sociedade. Na política não se pode falar mais do que se deve. Eu sou contra promessa em política, e às vezes são promessas feitas por terceiros, quartos, por segundos, que de fato não se concretizaram. Isso tudo faz uma diferença enorme. Então, eu acredito que os dois pilares foram isso. O Governo não é desonesto em relação ao dinheiro público. Claro, que se contaminou com temas que vinham há muitos anos impregnados nas paredes do Palácio. Não se tira isso do dia para a noite. Mas, por outro lado colocou uma equipe muito ingênua até do ponto de vista político para enfrentar o tamanho do monstro, que era aquilo que ocorreu anteriormente em corrupção. Era preciso ter pessoas mais experimentadas, então eu acho que houve sim, o governador até reconhece que houve essas falhas, até porque não existe nenhum ser humano infalível. Não existe salvador da pátria. Aliás, o Brasil precisa aprender, o eleitor precisa compreender isso, que não há salvador da pátria para uma gestão pública. Existe gestor, existe ser humano, pessoas falíveis, que podem cometer erros. Isso não existe, só em contos de fadas mesmo. O que precisa compreender é que as formas do Governo atingiram de alguma forma e é claro que por isso que tem crítica. Por outro lado, tem a motivação da crítica daqueles que querem voltar para o poder. E é claro que isso potencializa.

OD - O senhor falou da questão da Saúde na sua região especificamente, que é o principal problema no Estado inteiro. Como fazer a defesa do Governo para o seu eleitorado, se nem o senhor concorda com o que vem sendo feito?

Eu acho que a melhor defesa é a verdade. Aquilo que dá certo se enaltece, aquilo que dá errado se critica. O Brasil tem que parar de querer florear aquilo que está errado. Eu não vou proteger assuntos que eu não concordo, em termos de gestão. A política não pode servir para isso. O eleitor entende bem quando você diz: ‘eu acertei em tantas coisas e errei nessa, vou tentar melhorar agora’. O que você não pode é tentar florear aquilo que está errado, sabendo que lá na ponta o cidadão não esta recebendo o serviço que deveria. Na Saúde, ele [Taques] está tentando evoluir, melhorar, mas ainda não chegou ao ponto que nós desejamos.  O Estado sozinho não consegue dar conta Saúde, é preciso de parceiros. Esses parceiros precisam ser valorizados.

OD - Além dessa questão da Saúde, o Governo teve alguns pontos como a questão da grampolandia pantaneira, secretários presos, que devem ser usadas neste período de campanhas. O senhor é um dos principais lideres do PSDB no Estado e tem a sua candidatura em jogo neste grupo, como é que pretende tratar esses temas juntos a opinião pública?

Eu tenho a opinião que qualquer homem público que for citado, delatado, ou mencionado, ele tem que responder. Se o governador foi citado, mencionado ou delatado ele tem que explicar. Se ele tiver culpa nós vamos saber, se ele não tiver culpa nós também vamos saber. Quem não deve não tem que temer. Eu repito a mesma coisa na questão da crítica, eu não vou elogiar alguém que cometeu um erro porque é meu parceiro, e não vou criticar alguém que é meu opositor pelo mesmo erro. Acho que o governador Pedro Taques já falou isso publicamente, que não tem problema nenhum em explicar qualquer tipo de citação, delação ou menção ao seu nome.

OD - O senhor teme que de alguma forma esses problemas ligados a atual gestão e até mesmo a rejeição do governador, que vem sendo indicada em pesquisas, possa afetar o seu projeto?

É um risco que se corre quando faz parte do partido. Família é isso. Tem muita gente que não consegue um emprego porque o irmão cometeu um erro, ou o pai. O que tem maior valor na vida da gente é o sobrenome, nome da família. Você tem que preservar isso, mas se você faz parte de uma família, você está sujeito a todos os créditos dado àquele grupo ou todos os débitos, ônus, etc. Você não pode ser companheiro só na hora da festa. Se algum companheiro meu cometeu uma falha e eu quiser explicar por ele, não tem problema nenhum. Agora, eu tenho meu trabalho, minha história, minha vida. Trabalho muito para não ser sócio de coisas que eu não concordo. É isso que eu pretendo fazer. Agora, claro que o trabalho da oposição, do adversário, do concorrente possa ser esse. Eu não trabalho desse jeito, não trabalho derrubando a árvore de ninguém. Eu repito sempre essa frase, que eu trabalho plantando as minhas, construindo e regando as minhas. Agora tem gente que vai estar na campanha mais preocupado em derrubar os outros, do que construindo a própria candidatura.

OD – Este ano Mato Grosso tem pelo menos seis nomes fortes na disputa ao Senado. Como o senhor avalia seus futuros adversários?

Eu acho que o desenho desta candidatura de Senado teve uma movimentação a partir da desistência do Blairo. Até a desistência do Blairo só se tinha dois pré-candidatos a Senado, eu e ele. Até aquele momento Jayme Campos havia declarado apoio à minha candidatura. Então, nós não tínhamos muitos candidatos. Com a desistência do Blairo, apareceram com todo direito e legitimidade, vários outros candidatos, e uma nova candidata que é a juíza Selma, que ninguém sabia se ela era ou não. Falavam que ela poderia ser. Depois do período eleitoral, já legal no calendário, ela aposentou e se tornou uma candidata. Muita gente virou candidato numa oportunidade, não todos obviamente, dentro desta desistência do Blairo Maggi. A minha candidatura já vem sendo colocada desde 2015. Repito, eu não sou melhor que ninguém. Mas, os temas que Mato Grosso precisa, de fato eles precisam ser levantados para entender a cabeça de cada um. Agora, algumas coisas são projetos, mensagens. Outra coisa é atuação. O sistema político brasileiro e o sistema de Mato Grosso têm peculiaridades, é um debate que na verdade faz parte da pauta nacional. Não é uma pauta exclusiva. O que nós fazemos lá repercute aqui. Por exemplo, há mais de um ano nós estamos trabalhando para levantar, para renovar a concessão da malha viária paulista, para que isso repercuta na ampliação da malha viária do Estado de Mato Grosso. Quem tem a concessão da malha paulista é a mesma que tem da parte que vem até Rondonópolis. A malha paulista tem uma concessão até 2027, ninguém vai investir nunca concessão de apenas dez anos. Você precisa ampliar de 2027 para 2047, para que haja investidor para bancar pelo menos mais mil quilômetros de rodovia, saindo de Rondonópolis, ladeando Cuiabá e indo até Sinop, para encontrar com a futura ferrogrão, que vai sair de Sinop e vai até Miritituba. As duas rodovias se encontram. Esse é um projeto espetacular para baixada cuiabana. Vai incluir e trazer de fato a grife de ser a capital do agronegócio brasileiro. Não se vê ninguém de fato falar sobre isso.

OD - Falando um pouco do cenário nacional, o PSDB tem candidato próprio à presidência. Quais são, na opinião do senhor, as condições do Geraldo Alckmin, tendo em vista os quadros que estão expostos até o momento, do Bolsonaro candidato e do Lula, na frente das pesquisas, mesmo preso?

O Brasil cada vez mais vai transparecendo quem é o eleitor. O eleitor abomina qualquer político envolvido em crime, mas ao mesmo tempo tem aquela parcela do cidadão que não se importa com isso, tanto que o Lula aparece com 30% na pesquisa mesmo preso. Desses 30%  tem uma parcela que não sabe que ele cometeu o crime e outra parte não se importa. Esses dados da pesquisa mostram de forma clara, que cada vez mais temos que aprimorar a nossa democracia, que dá oportunidade para entender o eleitor brasileiro de forma muito clara que ele votaria em um candidato, em qualquer circunstância podendo ser do seu partido, grupo, ou de sua ideologia. E aquele outro que não vota de jeito nenhum por alguns princípios e preza, talvez por alguns princípios. Não que os outros não prezem, talvez não acreditem que isso de fato é uma afronta a ética, moral e tudo mais. Enfim, as eleições de 2018 vão ser diferentes de tudo. Eu tenho falado isso. Hoje nós temos uma intolerância do eleitor em geral. Principalmente, daqueles que não são ligados a partido político. As eleições em Tocantins demonstraram que quase 50% das pessoas não votaram, entre brancos, nulos, e pessoas que nem foram até a urna. Isso é uma demonstração que também aconteceu no Amazonas. A diferença é que o eleitor não votou em nenhuma novidade, votou na classe política. As novidades não chegam ao segundo turno. O eleitor ainda tem esse cuidado, talvez, de querer ter uma segurança com quem tem um pouco de experiência. A novidade vai acontecer em alguns estados, mas em outros nem tanto. O quadro nacional, que coloca a extrema direita como segundo colocado e a extrema esquerda como primeiro colocado, é um momento ainda da intolerância, dos dois lados. O Bolsonaro, para avançar, precisa diminuir um pouco do radicalismo, porque senão ele chega em um ponto que não vai mais crescer. O Lula saindo fora, caso seja representado por Ciro Gomes ou alguém do PT, também tem que tomar o cuidado de não radicalizar para dar um segundo passo. Eu ainda acredito que um centro mais equilibrado, com segurança política, compreendendo o que precisa ser feito para avançar terá mais chance de crescer. Eu acredito na candidatura do nosso candidato [Alckmin], embora os números ainda não estejam elevados, mas ninguém passa de 20%, na prática. Mas pelo currículo dele, que governou por quatro vezes São Paulo, que é um estado que tem os melhores índices do país, em todas as áreas. Vai transparecer justamente quem é o Geraldo Alckmin, um cara simples, que vendeu o avião do Governo do Estado, o helicóptero, todos os carros oficiais, anda desde 2006 em avião de carreira, anda de taxi ou de uber, não é coisa inventada agora. Ele tirou o peso da maquina. Então, eu acho que no momento certo e mostrando ao Brasil o gestor que ele é, o eleitor vai entender que o país precisa dessa segurança política e não de super-herói.

OD - O senhor falou sobre o radicalismo e citou o Bolsonaro, uma das propostas dele é fundir os Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, o que o senhor pensa disso e como o avalia como candidato?

As propostas do Bolsonaro que eu conheço são da Frente Parlamentar. E ele é deputado, ele não precisa fazer proposta, ele pode fazer lei. Por exemplo, a proposta de evasão de terras não é uma proposta dele, é um projeto de lei que inclusive é meu. Eu estou há dois mandatos, ele está há sete. Ele é meu colega, mas eu acho que ele poderia pegar todas essas propostas que tem apresentado como candidato e apresentar como projeto de lei no local apropriado para isso, que é a Câmara. Ele ainda está deputado. É muito discurso e pouca prática. Mas é um candidato que verbaliza bem. Eu sou a favor do Ministério do Ambiente, não apoio que unifique. O problema não está nos Ministérios, está nas leis. Se o Congresso não funciona, o ministro cria por decreto. Mas se o Congresso funciona e cria lei auto aplicada, por exemplo de licenciamento ambiental, acabou. Como é que um país como o Brasil, com o maior bioma do mundo tem condições de verbalizar para outros países que não tem um ministério de Meio Ambiente.

OD - Recentemente foi aprovado um relatório do senador Wellington Fagundes, que trata de mudanças na Lei Kandir, que contou, de acordo com o próprio senador, com o apoio do senhor.

A lei Kandir foi criada para impulsionar a agricultura no Brasil, pra desenvolver o campo. Então ela desonerou o imposto de exportação para estados como Mato Grosso e criou um fundo para compensar os estados que não tinham mais ICMS. É o famoso FEX. Com o passar do tempo e o próprio STF já entendeu isso, a lei Kandir cumpriu seu papel e chegou num patamar que não precisaria mais dessa desoneração. Mas o Brasil compreendeu que a agricultura foi o setor que mais cresceu, que mais empregou, que mais segurou a balança comercial, o PIB... Agora, o fundo venceu o seu prazo. Ele não tem mais a legitimidade de devolver esse recurso, fica muito a bel prazer do presidente da República se coloca no orçamento ou não. Isso tem que se tornar lei. Se formos fazer uma conta, o Governo Federal deve mais de R$ 30 bilhões para os Estados desonerados. Mato Grosso, se não me engano, chega a R$ 11 milhões. Agora nós apresentamos algumas emendas ao relatório do Wellington Fagundes, que foi aprovado, mas ainda precisa ser regulamentado. Continua perdendo os R$ 30 bilhões, porque é impossível de pagar, mas acreditamos que vai baixar para uns R$ 9 bilhões, o que já ajudaria muito Mato Grosso.

OD – Um dos trabalhos de maior relevância da sua carreira legislativa foi a atuação na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Quais projetos o senhor considera de maior relevância no período em que presidiu a FPA?

Nós conseguimos concluir a PEC 215, que trata de um novo rito de demarcação de terra indígena no Brasil. Era um tema espinhoso, que ninguém tinha coragem de fazer. Eu fui presidente e nós conseguimos entregar esse relatório, está pronto para ser votado no Plenário. Fui relator da CPI do Incra e da Funai, denunciamos mais de 100 pessoas no Brasil, várias entidades e inclusive membros da Procuradoria-Geral da República que incitavam invasões de áreas indígenas e também os crimes cometidos nos assentamentos rurais. A lei da terceirização, que incluiu no mercado de trabalho milhões de brasileiros que prestavam serviço na área rural, e tudo mais. Após isso aprovamos as leis da Reforma Trabalhista, na qual a Frente Parlamentar atuou de forma muito forte para conseguir aprovar. A MP 759 da Regularização Fundiária, vai regularizar mais de 100 mil propriedades no Brasil, não só na área rural, mas em favelas, áreas de invasão. Aqui em Cuiabá mesmo, isso deu uma facilidade enorme, foi um avanço fantástico. E desengavetemos leis muitos importantes, como a de terras para estrangeiros que começou a tramitar. São vitorias que consegui dentro da Câmara. Mas, para mim, o maior avanço foi colocar na mesma mesa o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente para discutir o desenvolvimento do Brasil. E por ultimo, que nós vamos apresentar para o Brasil, eu vou liderar essa apresentação no Congresso, que é a redução do tamanho da máquina pública.

OD - São duas vagas para a senatoria em Mato Grosso. Uma o senhor quer ocupar, obviamente. Quem o senhor acredita que ganha a segunda?

Não consigo fechar esse mosaico ainda. Amizade, proximidade, eu tenho com o Democratas, com o senador Jayme. Mas tenho amizade também com o Carlos Fávaro, com o Adilton que é meu grande amigo, enfim. Dos pré-candidatos eu tenho uma boa relação com todos. Não tenho relação pessoal com a juíza Selma, mas não tenho nada contra ela também. E mesmo que não estejam dobrando comigo, todos terão meu respeito, independente do palanque.

A um mês das convenções, Leitão diz que faltou “pulso” para Taques tocar a Saúde e nega recuo de candidatura
Fonte: Querência Em Foco com Erika Oliveira.

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