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06 de agosto de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Escolas da Série A são despejadas de seus barracões

Cinco agremiações desocuparam imóveis na Zona Portuária e três serão desapropriadas. Impasse pode comprometer desfiles de 2019
Escolas da Série A são despejadas de seus barracões

As agremiações da Série A do Carnaval estão vivendo um drama nos últimos meses: cinco das 13 escolas do grupo foram despejadas de seus barracões, e outras três correm o mesmo risco. De acordo com a Liga das Escolas de Samba do Rio (Lierj), a situação fica a cada dia mais crítica e os desfiles da Sapucaí "já estão sendo prejudicados".

 

Até ontem, foram desocupados os terrenos da Alegria da Zona Sul, Unidos de Bangu, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos de Santa Cruz e Acadêmicos do Sossego, todos na Zona Portuária. Segundo a Lierj, não houve qualquer planejamento do poder público para remanejamento dos barracões. "O que vem sendo notado é que as escolas estão sendo removidas e jogadas ao relento, sem que haja a indicação de outros espaços para que os carros alegóricos e os materiais possam ser preservados e transferidos", afirmou a Liga.

 

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), responsável pela maior parte das desapropriações, informou por nota, que as estruturas dos barracões têm risco iminente de queda, verificado pela Defesa Civil. A Companhia acrescentou que "mantém diálogo permanente com representantes das escolas para apoiar a transferência e evitar uma tragédia anunciada". Outros imóveis são privados e foram retirados por empresas após decisões judiciais.

 

A Unidos da Porto da Pedra, que sofreu um incêndio há dez dias e perdeu 30% da infraestrutura, recebeu na quinta-feira a ordem de despejo da Cdurp. A escola não tem outro local para levar as alegorias. No próximo Carnaval, a agremiação vai homenagear o ator Antonio Pitanga. As agremiações Rocinha e Renascer de Jacarepaguá também correm risco de serem desapropriadas.

Para Daniel Thompson, porta-voz da Alegria da Zona Sul, escola que foi despejada há dois meses, o planejamento de todo o desfile fica atrasado.

 

"O nosso barracão foi demolido e chegamos a ficar com os carros na rua. A nossa sorte foi que, por meio da ajuda da Lierj, conseguimos um terreno na Avenida Brasil. Por enquanto, os carros alegóricos estão lá, mas pegam sol, chuva, e com o tempo deteriora. A escola não tem pra onde ir", contou. A agremiação vai apresentar o enredo 'A história da umbanda no Brasil'.

 

A Liga cobra ainda uma resolução da prefeitura para construção de uma Cidade do Samba para a Série A. "A Riotur havia prometido em maio viabilizar junto à prefeitura a cessão de um terreno para que as escolas de samba pudessem realizar os trabalhos em segurança e em condições digna", destacou a instituição por nota.

Procurada, a Riotur não respondeu as questões sobre a construção do espaço para as agremiações. A Prefeitura do Rio também não se posicionou até o fechamento desta edição.

 

Incêndio nos galpões

Os barracões da Série A sofrem há anos com a deterioração. Problemas na infraestrutura resultaram em incêndios na Zona Portuária. Em maio, o fogo destruiu o barracão da Unidos da Ponte e Lins Imperial. No ano passado, a Renascer de Jacarepaguá teve dois incêndios de grande proporções.

Além disso, as agremiações sofreram com corte de verbas. Elas fizeram o desfile deste ano apenas com metade do subsídio dado pela prefeitura.

Escolas da Série A são despejadas de seus barracões
Fonte: Querência Em Foco com O Dia.

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