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09 de agosto de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Facção movimentou R$ 52 milhões em um ano e meio, diz Polícia

Líderes da organização criminosa usam dinheiro para a compra de bens de luxo
Facção movimentou R$ 52 milhões em um ano e meio, diz Polícia

A investigação da operação “Red Money” desmontou um esquema de arrecadação de dinheiro desenvolvido pela principal facção criminosa do Estado, cujos capitais são oriundos de pagamento de mensalidade de faccionados e traficantes e taxas de falsa segurança em comércios.
 
Outra fonte de renda teriam vindo de crimes articulados de dentro dos presídios como roubos e furtos de veículo e agências bancárias, tráfico de drogas e estelionato, entre outros.
 
A operação já cumpriu 83 mandados de prisão. Para a ação policial, deflagrada nesta quarta-feira (08), pela Polícia Civil, sob a coordenação Diretoria de Inteligência e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), a Justiça expediu mais de 230 ordens judiciais, sendo 94 mandados de prisão preventiva, 59 buscas e apreensão, 80 ordens judiciais de bloqueios de contas correntes, além de sequestro de bens (veículos, joias, imóveis urbanos e rurais) e valores.
 
No período de um ano e meio, entre entradas e saídas de 44 contas investigadas na operação, foram identificados movimentação de aproximadamente R$ 52 milhões.
 
Segundo a investigação, a facção arrecada por mês cerca de R$ 170 mil e mais de 1,2 milhão, por ano, com as mensalidades pagas pelos faccionados, fora outras fontes de sustentabilidade da facção criminosa.
 
O montante é usado no enriquecimento ilícito das principais lideranças com a compra de veículos de alto valor, propriedades rurais e urbanas. Carros luxuosos são ostentados pelas mulheres das lideranças, que são bancadas com o dinheiro da atividade criminosa.
 
No alto escalão financeiro da facção estão: Francisco Soares Lacerda (Brasília) e Jonas Souza Gonçalves Junior (Batman), sendo este último dono da empresa JJ.Informática, constituída com fins de lavagem do dinheiro das ações criminosas. Os dois, assim como outras lideranças e colaboradores, tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos hoje na operação Red Money.
 
São 94 mandados de prisão (30 alvos estão dentro de presídios), 59 mandados de busca e apreensão e 80 ordens judiciais de bloqueio de contas correntes, e outras medidas cautelares de sequestro de bens e valores (1 fazenda no município de Salto do Céu, 2 casas e 1 terreno em Cuiabá, 2 caminhões e 5 automóveis), interdição de duas empresas. As ordens foram deferidas pelo juiz de direito, Marcos Faleiros da Silva, da 7ª Vara Criminal - Vara Especializada do Crime Organizado.
 
De acordo com o delegado geral da Polícia Judiciária Civil, Fernando Vasco, foi necessário mudar a estratégia de combater os faccionados, não somente prendendo-os, mas também descapitalizado as organizações criminosas, com bloqueio de bens e valores, e, assim, desestruturando sua base financeira.
 
“Fazemos a repressão qualificada diariamente pelas unidades da capital e do interior. Mas a prisão se mostrou insuficiente para fazer com que esses indivíduos deixassem de deixassem de praticar crimes. Temos que agir contra o patrimônio dessas facções e com essa operação avançamos um degrau no combate ao crime organizado”, ressaltou.
 O secretário de Estado de Segurança, Gustavo Garcia, lembrou a repressão qualificada desenvolvida pelo sistema de segurança pública de Mato Grosso, sedimentada no enfrentamento técnico e especializado das instituições.
 
“Esta operação demonstra a força do nosso sistema de segurança pública, que de forma integrada, planejada e  com apoio da atividade de inteligência, vem dando resposta  as ações realizadas por facções criminosas. Este enfrentamento técnico e especializado é imprescindível para redução dos índices de criminalidade no Estado, sobretudo, os praticados mediante emprego de violência, como os  roubos  e homicídios”, disse.
 
O diretor de Inteligência da Polícia Judiciária Civil, Juliano Carvalho, destaca a importância do trabalho desenvolvido pelo Laboratório de  Tecnologia de Combate a Lavagem de Dinheiro da PJC ao longo de toda a operação. “Para alcançar eficácia na repressão à criminalidade é fundamental atacar a base financeira das organizações criminosas, agindo com a apreensão de veículos, arresto (sequestro) de contas bancárias, joias e imóveis urbanos e rurais (fazendas).
 
O trabalho do laboratório não se restringe a crimes de corrupção ou organização criminosa, mas também auxilia os trabalhos investigativos de diversas modalidades criminosas, como delitos de estelionato, furto, tráfico de drogas, roubo, entre outros, buscando a recuperação de ativos financeiros adquiridos de forma ilícita.
 
Parcial da operação
 
Até o momento, a operação, que está em andamento, contabiliza 58 veículos apreendidos (automóveis, caminhonetes, motocicletas e caminhões), além de joias, R$ 51 mil, em espécie e R$ 305 mil em cheques. As apreensões, ocorridas tanto na região metropolitana quanto no interior, ainda estão sendo contabilizadas para divulgação posterior.
 
Apoio
 
A operação denominada “Red Money” é coordenada pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil juntamente com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da Gerência de Operações Especiais (GOE), da Diretoria de Interior - núcleos de inteligência das Delegacias das Delegacias de Cáceres, Barra do Garças, Água Boa, Juína, Sinop, Primavera do Leste, Rondonópolis, Tangará da Serra, Guarantã do Norte, Pontes e Lacerda) -, Núcleos de Inteligência da Delegacia Especializada de Entorpecentes (DRE) e Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva), além de colaboração da Polícia Civil dos estados do Pará e Mato Grosso do Sul.
 
A ação conta também com o apoio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh),  Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e  do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAer).

Facção movimentou R$ 52 milhões em um ano e meio, diz Polícia
Fonte: Querencia em foco com Agencia da Noticia.

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