NOTÍCIA - geral

17 de agosto de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Nanda Costa sobre decisão de se assumir: "Bissexual sofre mais preconceito"

Nanda Costa sobre decisão de se assumir:

A Marie Claire de agosto mostrou a que veio logo no início: depois de quatro anos e meio ao lado da percussionista Lan Lanh, 50, Nanda Costa, 31, finalmente se sentiu pronta para falar sobre seu relacionamento - que já não era segredo para ninguém.

"Não acho que eu me escondi, acho que eu me preservei. A gente vive num país extremamente preconceituoso e eu não queria ser rotulada, como sempre buscam rotular. Eu sempre me senti muito livre", disse ela.

Bissexual assumida, Nanda contou que foi bem aceita por sua família, diferente de sua primeira personagem lésbica, a Maura, de Segundo Sol. "Essa é minha primeira personagem gay. Mas ela também não é só isso, ela vai descobrir outras coisas, está vivendo. E eu fui com a minha alma e meu coração, porque a minha história é diferente da dela. Na minha família era com muito amor, mas assim, eles sentiram. Acho que a minha mãe e a minha vó mais ainda por medo do preconceito. E meu avô falou: 'Que bom que você não tá sozinha aí, que tá com uma pessoa que gosta de você'. O que é completamente diferente da minha personagem, que tem um pai homofóbico e machista."

Play para conferir o vídeo que mostra os bastidores da capa e um papo sincero com Nanda Costa sobre bissexualidade, família e assédio!

Primeiro amor

“Foi aos 16, um homem, com quem transei pela primeira vez. Era louca por ele. Em um fim de semana, iria para a formatura dele, no Rio, ele ligou e disse: ‘Não vem, não’ e acabou. Pensei que fosse morrer [risos]. A Maria Rita tinha acabado de lançar o primeiro disco, e ficava ouvindo no repeat a música ‘Ele não é de nada’.”

A descoberta

“Em São Paulo, tive outros namorados. Com o Fernando, fiquei três anos. Ele é maravilhoso. O amava de verdade e nunca tinha me apaixonado por uma mulher, nem pensado a respeito. Num Carnaval, em Paraty, saímos no ‘Bloco das Piranhas’, em que os homens se vestem de mulher. Ele passou rímel, batom, blush, botou salto e saia. Fez a barba. Olhei e falei ‘caramba’ [arregala os olhos]. Fiquei louca por ele e disse: ‘Fernando, você tá muito gata!’. E ele: ‘Fê, tá tudo bem, sou eu’. A partir daí, comecei a olhar diferente pras meninas.”

Paixão por uma garota

“Na primeira vez que fiquei com uma mulher, não sabia se era bi, lésbica, nada. Já ela tinha certeza que eu gostava de meninas! [risos] Na verdade, até hoje não tenho certeza sobre o que sou, e tudo bem. Não quero me rotular, sou livre para amar. Porque é isso: namorei uma mulher. Aí depois me apaixonei por um cara. E agora? Como lidar com a expectativa alheia? As pessoas acham que sou gay, vão achar que tô de ‘fachada’. Começa uma cobrança dos outros, e de mim mesma, para me rotular. Enfim, voltando. Acabei me apaixonando por essa garota! Já era atriz de TV, fazendo novela, tinha medo da exposição. Aí nos beijamos, tomei coragem e me declarei. Ela riu e falou: ‘Achei que fosse só um beijinho. Não quero esse cargo de ser sua primeira, não’. Me dispensou!”

Abandono do pai

“Nasci quando minha mãe tinha 16 anos. Meu pai sumiu quando completei um. Quando era pequena, vendo TV, perguntei: ‘Mãe, você acha que meu pai assiste?’. Ela respondeu que sim. Falei: ‘Será que se eu entrar ali ele vai me ver? Vai voltar?’. Ela respondeu: ‘Provavelmente, mas é muito difícil entrar ali’. E eu: ‘Mas vou conseguir’. Ele apareceu após minha primeira novela. Ligou e disse: ‘Meus amigos não acreditam que você é minha filha’. Respondi: ‘Mas nem eu’. Tentamos nos aproximar, mas não temos muitas afinidades. Tudo bem. Nunca julguei meu pai. Ele foi criado num orfanato, foi pai adolescente. Sempre tentei entendê-lo.”

Avô-pai

“Fui criada com muito amor, numa família especial, com apoio em tudo. Sobretudo do meu avô, que exerceu com maestria esse papel paterno. Quando dizia que ia ser atriz, a família toda falava ‘ah, legal, mas é sonho de criança, depois passa’. E meu avô falava: ‘Nada disso! Ela tem que querer o Oscar. Fê, mira no Oscar e vê onde acerta’. Essa frase nunca saiu da minha cabeça.”

Revelação pra família

“Quando contei pra família, foi difícil. Sempre é. Eles tinham medo de eu sofrer preconceito. Acabei contando pelo telefone. Tinha sido assaltada, roubaram a carteira, precisava fazer um B.O., ir ao hospital. Era sábado, estava sem o cartão do seguro saúde. Liguei pra minha mãe. E ela: ‘Fê, você nunca fica doente. Está sozinha?’. E respondi que não estava. Ela quis saber com quem, e falei: ‘Com a Ana’. Perguntou quem era Ana, não quis mentir, disse que era minha namorada. Ela desligou. Meus avós quiseram saber o que houve, e ela contou. Minha avó reagiu de forma parecida, mas meu avô disse ‘graças a Deus ela está com alguém que a ama’. Hoje está tudo ótimo, elas super me apoiam, adoram a Lan.”

Nanda Costa sobre decisão de se assumir: "Bissexual sofre mais preconceito"
Fonte: Querência Em Foco com Maria Clarie.

Comentários

Deixe um comentário sobre esta notícia.