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28 de setembro de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Maria Lúcia diz que não tem "vergonha" de Lula enquanto adversários têm torturadores como referência

Maria Lúcia diz que não tem

Já no vocabulário a ex-reitora da UFMT Maria Lucia Cavali Neder (PCdoB), candidata ao Senado na chapa encabeçada por Wellington Fagundes (PR), deixa claro de que lado quer entrar para a história política que está sendo escrita no Brasil. Chama Dilma Rousseff (PT) de presidenta e usa o termo golpe ao se referir à deposição da petista. Para ela, a prisão do ex-presidente Lula (PT) é fruto de uma acusação muito frágil. Em entrevista concedida ao Olhar Direto, a professora universitária reforçou o orgulho que sente de suas referências à esquerda. “Diferente de outros candidatos que têm como referencia torturadores da época militar”, compara.
 
A ex-reitora falou sobre suas estratégias políticas para a reta final da campanha e apresentou ideias de reforma no modelo tributário brasileiro que corrijam, segundo ela, injustiças. Para educadora, o Estado brasileiro penaliza demais a classe trabalhadora e não recolhe o que deveria dos mais abastados. Maira Lucia também criticou o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto, por declarações do presidenciável a respeito de mulheres e homossexuais. Sobre o kit gay que Bolsonaro tanto fala, por exemplo, sustenta tratar-se de “mentira de um candidato que não tem responsabilidade com a verdade”.
 
Entre os postulantes ao Senado Federal, ela faz parte de uma minoria que tem regionalizado o polarizado debate nacional, que tem pautado as eleições deste ano. Uma de suas estratégias é colar seu nome no do presidenciável petista Fernando Haddad. Para ela, seus adversários não fazem o mesmo porque se envergonham dos candidatos que apóiam nacionalmente “Então eu não tenho vergonha do meu candidato. Eu tenho orgulho de estar apoiando o Haddad”.
 
Maria Lucia é a candidata mais à esquerda da coligação ‘A Força da União’, que além de Wellington lançou Adilton Sachetti (PRB) à outra vaga ao Senado. Rebate argumentos de quem defende a tese de estado mínimo e em seus horários eleitorais tem criticado duramente as reformas impostas pelo presidente Michel Temer (MDB). Seu colega de chapa, deputado federal Adilton Sachetti, votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e a favor da reforma trabalhista, o que acabou provocando sua saída do PSB sob ameaças de expulsão. Sobre as diferenças ideológicas com Sachetti, Maria Lucia diz que mantém suas posições. “Somos da mesma coligação, mas isso não impede você de ali fazer críticas”, explica.
 
Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida por Maria Lucia ao Olhar Direto:
 
Olhar Direto: Como está sendo a reta final da campanha. As pesquisa têm mostrado um candidato liderando a disputa pela primeira vaga, mas uma briga muito acirrada pela segunda e isso em um cenário em que o eleitor tem candidatos para todos os gostos. A senhora, filiada ao PCdo B, militante da educação e ex-reitora da UFMT; três representantes do agronegócio e do setor produtivo; uma juíza aposentada que empunha a bandeira do combate à corrupção e o Procurador Mauro, também à esquerda e conhecido do eleitor por disputar outras eleições. Nesse cenário, qual é a estratégia da senhora para alcançar a vaga ao Senado?
 
Maria Lúcia: Nós estamos muito otimistas e empenhados. Primeiro porque a nossa campanha é a campanha de um projeto voltado para os mais necessitados e também para a classe trabalhadora. Quer dizer, nós também temos um marco muito forte que é a defesa de um povo trabalhador e principalmente as pessoas de baixa renda. Nós estamos muito empenhados também na eleição do nosso presidente Haddad e a sociedade de forma geral aqui em Mato Groso já consegue identificar a professora Maria Lucia, candidata ao Senado, como a única candidata que realmente tem o lado do povo trabalhador, da classe menos favorecida e ela também tem a compreensão de que nos nossos governos populares tanto do presidente Lula quanto da presidente Dilma houve uma melhora de vida para toda a população brasileira com políticas publicas muito fortes para o emprego. Nós criamos 14 milhões de empregos nesse período; programas como o Minha Casa, Minha Vida; o Luz Para Todos; ampliação do SUS; farmácia popular; alimentação na mesa do brasileiro; a possibilidade de crédito para comprar seus móveis, sua geladeira, seu fogão. A gasolina com preço razoável.O povo brasileiro já entendeu que quando nós temos um governo popular a população, principalmente de menos renda, ela é favorecida, ela entra no centro da preocupação do Governo Federal e eles estão agora com certeza associando a candidatura da professora Maria Lucia ao Senado a esse projeto democrático e popular que visa buscar benefícios sociais para a maioria do nosso povo. Porque o povo de menor renda faz parte de 90% dos brasileiros.
 
OD: Falando sobre a sua estratégia de trazer esse debate nacional para cá. Dos candidatos ao Senado a senhora é uma das poucas que mais cita o seu presidenciável, cita o presidente Lula. A senhora enxerga um vácuo político aqui na esquerda em Mato Grosso, visto que nenhum outro candidato majoritário tem trazido esse debate tão polarizado que tem pautado a eleição em todo o país?
 
ML: Primeiro, alguns candidatos tem vergonha dos seus candidatos a presidente. Eu, pelo contrário, o presidente Lula é uma das nossas referências para pensa a nossa sociedade e pensar um projeto para o Brasil. O Haddad foi na minha avaliação de professora de 45 anos de UFMT e duas vezes reitora dessa instituição, o melhor ministro que o Brasil já teve, porque fez uma inclusão sem igual no pais, duplicando o número de vagas na universidade pública. Pela primeira vez o filho do trabalhador, da lavadeira, do pedreiro, da dona de casa, da escola pública pode chegar à universidade com escola pública, com Prouni, com Fies. Uma forte inclusão porque entende a educação como a base de qualquer processo de desenvolvimento de um país.Então eu não tenho vergonha do meu candidato. Eu tenho orgulho de estar apoiando o Haddad e quando nós falamos de uma candidatura ao Senado, embora a nossa referência seja para reconhecer os problemas, pensá-los e fazer proposições seja o nosso Estado, nós seremos senadores do Brasil, portanto nós temos que sempre pensar as questões e os problemas em nível nacional, por isso que nós quando falamos de saúde, educação, segurança publica, saneamento básico, moradia popular e principalmente geração de emprego, nós temos que trazer a referência local, pensar os problemas localmente, mas pensar os problemas globalmente, pensar os problemas do Brasil na sua totalidade. Porque o senador representa Mato Grosso, mas é um senador do Brasil. Por isso que sempre quando eu trato os problemas eu faço referência a Mato Grosso, mas também sempre pensando na totalidade e na complexidade dos problemas dos brasileiros de uma forma geral.
 
OD: O ex-presidente Lula, mesmo preso, é figura muito presente nessas eleições. Eu gostaria de saber se a senhora considera a prisão dele injusta. Além disso, ele já mostrou o quanto pode ajudar o Haddad, estamos vendo isso nas pesquisas, mas até que ponto ele pode ajudar o candidato e em que ponto ele, preso, pode passar a atrapalhar?
 
ML: Da mesma forma que eu como candidata ao senado pelo PCdoB tenho orgulho das minhas referencias e elas são Haddad, Lula e Manuel, o Haddad também tem como referencia o presidente Lula e ele tem orgulho de ter essa referência, diferente de outros candidatos que tem como referência torturadores da época militar. Então é preciso ver qual são as referencias. Os candidatos que não citam suas referencia é porque tem vergonha. Então nós temos aqui candidatos ao governo que têm vergonha de falar das suas referências nacionais. Nós, ao contrário, temos orgulho.O presidente Lula, sem dúvida nenhuma, foi considerado não só no Brasil, mas mo mundo inteiro o melhor presidente que o Brasil já teve. As pessoas compreendem isso e não é sem razão que ele, nas pesquisas, ganha no primeiro turno e o candidato dele ao ser substituído com o Haddad ele está crescendo um ponto percentual por dia. Isso não é sem razão. O mundo inteiro reverencia o presidente Lula e também critica sua prisão porque a motivação ela realmente é muito frágil. Houve ai uma manipulação, todo mundo compreende isso. A maioria dos juristas sérios desse país já se posicionaram contra o processo que foi cheio de falhas e mostra a perseguição política e portanto nós estamos ai muito firmes com orgulho de termos essa referência e o povo brasileiro sabe que é no governo popular, no governo democrático, que nós iremos, com a eleição de Haddad, retomar as nossas políticas. que terá portanto uma melhor saúde, uma educação para todos, uma segurança voltada não só para melhorar as condições de policiamento e aqui eu quero colocar que essa é uma grande diferença das candidaturas.

Enquanto muitos candidatos querem armar a população, menosprezando o papel da polícia, menosprezando o papel do Estado, nós, ao contrário, queremos uma polícia melhor qualificada, com salários dignos, melhor preparada, com serviço de inteligência porque achamos que a segurança, principalmente a repressiva, é problema para a polícia. Não queremos armas nas mãos da população. Nós queremos livros, biblioteca, esporte, lazer para os nossos jovens. Emprego porque é o emprego que traz dignidade.

O Brasil hoje tem 14 milhões de desempregados e esta é uma variável importante no desencadeamento de, às vezes, muitas violências, sobretudo a violência contra a mulher. Nós estamos hoje envergonhados de termos um estado líder no índice de violência contra a mulher; do feminicídio. Nós estamos matando as mulheres. Um desrespeito total. E ai há outro contraponto com a nossa oposição. Porque a nossa oposição menospreza a mulher quando ela diz que fraqueja ao fazer uma filha mulher. Quando diz que mulher feia não deve ser estuprada, quando diz que mãe e avó quando criam filhos, esses filhos são desajustados. Diferentemente, nós acreditamos nas mulheres. Nós defendemos as mulheres, principalmente para que elas tenham renda igual a dos homens, para que elas tenham oportunidade de educação, para que elas tenham condições crias seus filhos com dignidade, com trabalho, por isso entregamos a chave das casas nas mãos da mulheres. É assim que a gente pensa o Brasil, com dignidade e não com violência.
 
OD: Chegamos ao assunto Bolsonaro. A senhora vai participar do ato deste sábado de mulheres contra ele?
 
ML: Participarei com o maior orgulho e maior empenho porque as mulheres estão fazendo a diferença nessas eleições, porque elas estão compreendendo que nós temos um projeto que busca a barbárie, com violência contras as mulheres, com palavreado que denigre a mulher e o papel dela, e nós temos que lutar como a gente sempre lutou. A mulher ela tem hoje a condição de votar, a condição de estar no mercado de trabalho porque ela lutou. Não foi dado gratuitamente porque a raiz brasileira é patriarcal, machista.Então, por esta cultura, há um menosprezo do papel social, tanto que na política você vê poucas mulheres e foi preciso criar uma cota para que a gente pudesse ter visibilidade. Toda mulher que tem a sua dignidade, que luta pelo seu espaço sócia, com certeza estará nesse movimento “Ele Não”. Nós não podemos admitir que um candidato à Presidência da República tenha tanta ojeriza, tanta discriminação e não é só com a mulher, tem contra o negro, o LGBT, tem contra as minorias. Hoje, ao invés de querer um governo de barbárie, nós queremos um governo civilizatório, que respeite as diferenças, que respeite o ser humano, um governo que lute pelos direitos humanos e sociais.
 
OD: O candidato Jair Bolsonaro cresceu muito em popularidade em um episódio que ele batizou de “kit gay”. Chegou, inclusive, a levar um livro na entrevista concedida ao Jornal Nacional, reascendendo a polêmica. Eu pergunto à senhora, que é educadora e defende a bandeira da educação, esse “kit” de existe de fato?
 
ML: Esse livro não existe nas escolas, é uma mentira, mostra apenas o preconceito de um candidato. O que nós, como educadores temos que fazer, são orientações, principalmente na área de ciências às crianças e aos jovens sobre a questão do corpo. Esse é um papel do professor, principalmente em uma sociedade em que a classe trabalhadora, menos favorecida, não tem uma escolaridade tanto do pai quanto da mãe para fazer uma orientação cientifica com bastante propriedade, então os professores, eles têm obrigação, para que a gente possa evitar, por exemplo, entre os jovens, a gravidez precoce, a gravidez indesejada,muitas vezes por conhecer até o próprio corpo e como se dá essa questão da reprodução humana.Então é papel da ciência na escola explicar isso e isso não tem nada a ver com escolha e orientação sexual. Aliás, a orientação sexual é individual e o Estado não se mete nessa questão e não deve se meter. As pessoa devem buscar a sua felicidade, a sua orientação sexual de forma individual, de forma voluntária, e nós temos que respeitar as pessoas. Se ela tem uma orientação sexual diferente da que você defende, você tem que respeitá-la porque ela é livre. Nós moramos num país livre, num país democrático, e portanto a liberdade de escolha sexual é individual de cada um. Não existe essa questão do “kit gay”. Isto é mentira de um candidato que não tem responsabilidade com a verdade.
 
OD: Trazendo agora o debate para o nível estadual. A senhor é filiada ao PCdoB, partido que tem bandeiras muitas claras à esquerda. Eu sei que o candidato ao governo Wellington Fagundes (PR) tem ressaltado a pluralidade da coligação como algo positivo, por ter conseguido juntar direita e esquerda, mas eu quero saber como a senhora encara essa coligação ideologicamente, principalmente por dividir palanque com um candidato tão identificado com o agronegócio, como Adilton Sachetti.
 
ML: Eu acho que a grande vantagem da candidatura do governador Wellington Fagundes é justamente essa capacidade de juntar os diferentes, porque pra você pensar a complexidade do Estado de Mato Grosso, em quaisquer áreas, sejam segurança, saúde, saneamento básico e mesmo a agricultura é preciso olhares plurais. Então, nós trazemos o olhar sempre focado no trabalhado e principalmente aqueles de menos renda. Então, quando nós falamos em agricultura, nós não pensamos agricultura só pela dimensão empresarial.

Nós pensamos a agricultura na sua totalidade, vendo a agricultura familiar como elemento central para se pensar o processo de desenvolvimento dessa área. Então essa sensibilidade para o pequeno agricultor vem dessa ala de defesa do pequeno trabalhador. Da mesma forma a educação. Se nós temos uma educação com apensa a dimensão empresarial, nós não teremos uma defesa intransigente da educação pública, gratuita e de qualidade, porque o mundo empresarial quer terceirizar tudo. Ele quer privatizar tudo. Então é preciso que nós tenhamos a voz na defesa.

Eu sou contra a privatização indiscriminada da educação. É preciso que o estado, o município e o governo federal tenham compromissos com a qualidade, com a educação do seu povo. Nós não teremos acesso da classe trabalhadora e da classe menos favorecida à educação se ela for toda ela particular, toda empresarial. Então nós temos aqui nesta coligação na defesa do povo trabalhador e sobretudo de menos renda.

Nós nos complementamos e estamos com Wellington Fagundes por essa possibilidade de defesa intransigente dos direitos dos menos favorecidos. Nós temos espaço e quando nós conversamos para entrar na aliança e o fizemos justamente por essa possibilidade. Aliás, eu penso que a única chapa que tem essa liberdade de expor as suas ideologias com muita segurança, com muito foco e mais uma vez sem esconder as suas origens e as suas referências.
 
OD: A senhora tem pontuado muitas criticas ao governo Temer e o candidato Sachetti, enquanto deputado federal, se posicionou em favor das reformas do Temer, posição inclusive que rendeu ameaça de expulsão e a saída dele do PSB. Vocês já conversaram sobre isso. Há alguma revisão dele sobre o assunto?
 
ML: Não, eu me mantenho firme fazendo as minhas críticas. Nós somos da mesma coligação, mas isso não impede você de ali fazer críticas. Esse é o mundo democrático. Aliás, nós tivemos uma das piores condições hoje no Brasil que foi o golpe da presidente Dilma.

Eu tenho feito críticas severas, e um país que não respeita a sua democracia, que não respeita a soberania popular na hora da escolha dos seus governantes, é um país que não merece respeito. Tanto que o mundo inteiro hoje reconhece que o impeachment foi um golpe político e um golpe político, mas um golpe também em cima de uma presidenta esta eleita pela maioria do povo brasileiro, mas um golpe em cima do trabalhador. Por isso que, como trabalhadora, uma das nossas primeiras ações é rever a reforma trabalhista que prejudica o trabalhador tirando dali direitos que são que são conquistas de 40 - 50 anos, permitindo o trabalho precário, contratos temporários, intermitentes. O legislado se submete ao acordado.

Outra questão que essa direita que não tem preocupação com o povo aprovou é que a emenda constitucional 95 permitindo o congelamento dos investimentos do Brasil por 20 anos. Isso é um absurdo, é uma crítica que eu faço severamente porque você pensar que o Brasil possa deixar de investir na educação, na saúde, na segurança, com o caos estabelecido, principalmente aqui em Mato Grosso vocês estão vendo isso. Sem a preocupação de que haja investimento do governo federal, quem é que vai fazer saneamento básico nesse país? Quem é que vai fazer a casa popular nesse país? Quem é que vai trazer a farmácia popular? Quem é que vai trazer linhas de crédito para a classe trabalhadora? Quem é que vai trazer educação, saúde e segurança senão o governo popular, um governo democrático.

Então esse governo golpista, quando entra, a primeira coisa dele é tirar os direitos dos trabalhadores e agora ele já está mostrando o acordão eu foi feito por essa extrema direita brasileira que foi a reforma da Previdência. Ele está tirando o estado da segurança, o Exercito do Rio de Janeiro apenas para ter as condições de votar a Previdência. Todos vocês sabem que com o Exército em algum lugar desse país, você pela Constituição não pode votar qualquer reforma. O que ele está fazendo? Mostrou que mandou o Exército apenas para suspender a reforma da Previdência no momento eleitoral para continuar elegendo essa bancada da direita.

Então eu gostaria muito de chamar a classe trabalhadora, os menos favorecidos, prestem atenção, olha quem votou na reforma trabalhista, olha quem votou no impeachment. Continua o golpe em cima do trabalhador e a reforma será colocada após a eleição para votar.

Você trabalhador vai ter que se aposentar após 40 anos de contribuição, vai ter q se aposentar com horário de 12 horas por dia, 44 horas semanais, quando você estiver de bengala, já sem condições nenhuma de usufruir da sua aposentadoria que foi você com a sua contribuição que está contribuindo com a aposentadoria. Não é o governo federal que paga aposentadoria pra você. Quem paga é você mesmo, que contribuiu durante 20, 25, 30, 35 anos para que você tivesse uma segurança na sua velhice. Então, se você não quiser correr o risco, você faça as escolhas corretas. Para presidente nós estamos com Haddad porque nós temos a segurança de que ele fará uma revisão da Previdência protegendo o trabalhado e para o senado Maria Lucia.
 
OD: As reformas do Temer foram criadas a pretexto de uma necessidade de corte de gatos. Então como conciliar essa retomada do crescimento, tendo o estado como grande indutor, como retomar a capacidade de investimento. Isso passa por uma reforma tributária?
 
ML: É isso mesmo, reforma tributária progressiva. Hoje, por exemplo, tem a questão dos carros. qualquer pessoa que tem carros paga imposto e quem tem uma lancha ou avião não paga. Entoa há injustiças no Brasil que precisam ser recuperadas. E também a questão das isenções sem limites para o grande capital. Então nós temos muitas criticas com relação ao estado mínimo, mas o estado mínimo é sempre para o trabalhador. O estado mínimo nunca é para o lado do empresário, né?

OD: Criticas comuns ao nosso modelo de tributação são que a maior parte é recolhida sobre o consumo, ou seja, proporcionalmente os mais pobres pagam mais que os mais ricos. A senhora concorda com esse tipo de visão? Defende a taxação de lucros e dividendos para corrigir isso, por exemplo?
 
ML: É isso mesmo, nós temos a contribuição do brasileiro hoje é de 41% em termos de impostos. Desse 41%, 56% dele é  na cesta básica. Então quem está pagando hoje impostos no país é a classe trabalhadora, quando consome o arroz, o feijão, o sabão. Ali é que está o grosso da arrecadação e ai você vê a questão que a gente põe sempre como exemplo, no imposto sobre o carro você paga a mesma alíquota em um carro simples e um carro de luxo, quem tem uma lancha ou um avião não paga. Então tem alguma coisa errada na tributação brasileira.

O sistema tributário brasileiro precisa ser revisto, nós temos que ter um sistema tributário progressivo, em que os que ganham menos paguem menos e os que ganham mais paguem mais e também nós temos que começar a taxar as heranças e grande fortunas e ai você vê uma questão muito colocada pela direita brasileira que a gente tem que ter o estado mínimo. Estado mínimo para quem? Porque o estado mínimo não é para os banqueiros, que estão tendo lucros exorbitantes, com taxa de juros de duzentos e tantos por ano. O juro brasileiro está em menos de 10% e o banqueiro está ganhando duzentos e tantos por cento, então os grandes industriais, as grandes fortunas brasileira têm financiamento do BNDES, tem isenção fiscal, nós fazemos isenção fiscal para todos os grandes setores do capital, então é isso que precisa ser revisto com transparência. Quem são esses grupos que estão tendo benefício do governo brasileiro.

Quando se fala em estado mínimo só pensa no funcionalismo público, como se o funcionário público fosse o problema do Brasil. Ao contrário, o funcionalismo publico é a base de sustentação da oferta de serviços públicos de qualidade. O problema do Brasil é o grande capital especulativo, sobretudo, que ao invés de entrar no mundo da produção e por isso que às vezes nós não temos aqui as indústrias que deveríamos ter. Nós não temos aqui o estimulo à pequena agricultura porque é muito mais fácil você entrar no mundo especulativo rentista, aplicando seu dinheiro, do que entrar na produção pela burocracia, pelo custo Brasil, pela alta dos impostos.

Então é preciso perguntar: esse estado mínimo é pra quem? Porque pelo que eu vejo, a direita quando fala em estado mínimo ela entra diretamente na questão do serviço público, muitas vezes demonizando o servidor publico, quando a demonização deve ser do capital especulativo, daqueles que têm isenção sem merecer, daqueles que têm grande fortunas, grande heranças e não têm taxação, que come caviar e toma champanhe importado com a mesma alíquota do arroz e do feijão. É isso que nós temos que fazer um combate muito forte no governo federal e como senadora eu estarei fazendo essa proposição e de uma reforma tributária progressiva em que realmente tenha justiça no país.
 
OD: Mas como mudar esse sistema, levando-se em conta que esses grupos econômicos financiam candidaturas de terceiros, isso quando não são eles mesmos que elegem seus representantes diretamente. Chamando a sociedade para o debate? Mobilizando a opinião pública?
 
ML: Nós já tivemos um avanço que foi o financiamento público das campanhas, mas nós também permitimos a contribuição individual. É óbvio que os grupos corporativos de grandes empresas e do grande capital, elas têm interesse em manter suas bancadas.

Por isso é que lá nós temos a bancada ruralista, a bancada que a gente chama da bala, há interesses corporativos econômicos muito fortes e nós não temos a bancada da defesa do trabalhador, não temos uma bancada muito consistente, por isso os nossos companheiros trabalhadores têm que ter essa consciência de que tem que eleger pessoas que estejam defendendo os seus direitos. Os direitos da classe menos favorecida, o direito de um desenvolvimento econômico, mas com justiça social.

É normal que as grandes empresas tenham seus interesses e elas colocam ali gente pra fazer com que o asfalto passe dentro da sua fazenda, pra fazer com que o campo de aviação seja feito ao lado da sua propriedade, para fazer com que os rios possam ter as suas usinas beneficiadas por esse grande capital, por isso eles querem o estado mínimo, eles querem privatizar todas as riquezas do Brasil. Nós somos a favor da soberania nacional, contra a venda das nossas riquezas, como é o caso da Petrobras, Eletrobrás, Embraer, como é o caso da nossa energia.

Os grandes grupos de empresário do Brasil, e não é diferente aqui em Mato Grosso, estão dominando a área da energia, fazendo as barragens nos nossos rios, muitas vezes comprometendo a nossa ecologia, muitas vezes comprometendo o meio ambiente e nós temos que estar atentos, inclusive fazendo uma defesa de desmatamento zero no Brasil. Nós já desmatamos demais. Agora é melhorara produtividade com novas tecnologias e não a custo da nossa natureza. Então é nessa defesa que nós estaremos nos posicionando lá no Senado.
 
OD: Ainda sobre tributação, qual opinião da senhora com relação ao atual modelo da Lei Kandir. Ele precisa ser mudado? Qual melhor modelo?

ML: Eu sou a favor da revisão porque nós não podemos aceitar que toda a produção de Mato Grosso seja enviada para exportação in natura, com isenção de 90% dela de imposto sem que o governo federal faça a reposição devida. Então nós deveríamos, por exemplo, com essa produção que nós temos, estar recebendo aproximadamente R$ 6 bilhões do governo federal. Estamos recendo R$ 500 – R$ 600 milhões, mas com muita luta e sempre no final do ano, no momento em que você já não tem quase como fazer a execução e também é uma lei que ela favorece a não industrialização, porque se você pode fazer exportação com isenção de impostos, você dificilmente tenderá a fazer um esforço maior para a industrialização dos nossos produtos.

É preciso que a gente reveja essa lei inclusive para que daquilo que é enviado para o exterior possa voltar em de benéfico para a nossa população, em termos de educação saúde, segurança. Você imagina se nós tivéssemos os R$ 6 bilhões do agronegócio mato-grossense empregado na saúde, nós teríamos o caos que temos ai? Na pequena agricultura, na agricultura familiar, nós teríamos os problemas que temos em razão do financiamento? Outra coisa com relação à agricultura familiar é com relação à titulação, o Brasil precisa resolver o problema da titulação dos pequenos agricultores dos assentamentos brasileiros. E também não teríamos uma educação com a fragilidade que temos.

Hoje o Mato Grosso tem um índice de qualidade abaixo do índice nacional e abaixo do nível do Centro-Oeste. Se nós tivéssemos os R$ 6 bilhões retornando para a sociedade com certeza nós teríamos condições melhores na saúde, na educação e principalmente na segurança pública que hoje é uma das grandes preocupações do nosso povo.
 
OD: Pra finalizar, eu gostaria que você dissesse para o eleitor mato-grossense o que ele pode esperar de Maria Lucia no Senado, caso eleita.
 
ML: Eu sou professora Maria Lucia, candidata ao Senado, numero 654, são 45 anos de professora da UFMT, com uma luta constante e incessante pela democratização do acesso, por isso quando fui reitora criamos 70 novos cursos, fizemos pós-graduação em todos os campos da universidade, criamos o campus de Várzea Grande, fizemos toda a edificação do campos de Sinop, Barra do Garças, criamos a Universidade Federal de Rondonópolis, criamos condições com as cotas e o Enem para o filho do trabalhador chegar à universidade.

Hoje a nossa universidade tem 50% de estudantes da escola pública, com cota para negross, indígenas, quilombolas. A minha vida foi toda dedicada à inclusão social. Então da professora Maria Lucia vocês esperam combate e luta como eu dediquei a minha vida toda à inclusão social, a um processo de desenvolvimento mas com justiça social. Pra isso apoio o nosso ao presidente  Haddad , Manuela, 13, para que nós possamos voltar a ser felizes de novo. Para governador Wellington 22 e para senadora, para lutar com você, pelas suas causas, eu peço seu voto, professora Maria Lucia 654, Senado Federal com representação do povo trabalhador do nosso estado.

Maria Lúcia diz que não tem "vergonha" de Lula enquanto adversários têm torturadores como referência
Fonte: Querência em Foco com Lucas Bólico.

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