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09 de outubro de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Uma visão escocesa da música clássica com Nicola Benedetti

Uma visão escocesa da música clássica com Nicola Benedetti

O Jornalismo Cultural nos exerce uma forte atração transcendente. Dedicamos com alegria uma parte de nossa vida ao estudo da arte dos sons. E desde então, militamos com tenacidade advogando a causa da Estética da Música. Com efeito, essa arte da chamada Música Clássica é que tem o potencial de educar os ouvidos, sensibilizar a alma e elevar o intelecto humano. E como precisamos de luzes nestes tempos tão sombrios de barbárie em que vivemos.

 

Hoje gostaria de convidá-los a conhecer o trabalho artístico de uma bela e competente violinista chamada Nicola Benedetti que, dentre sua farta discografia, apresenta o CD em destaque intitulado “Homecoming. A Scottish Fantasy”. Trata-se de um trabalho que harmoniza a tradição do romantismo alemão do compositor Max Bruch (1838-1920) e sua ‘Scottish Fantasy, op. 46’ para violino e orquestra. Isso combinando nas demais faixas, com as melodias da mais rica raiz da Música Folclórica Escocesa (“Scottish folk music”). Não por acaso, a ideia do título do CD numa tradução livre: “voltando para casa”, recorda as melodias ancestrais do norte das ilhas britânicas.

 

Mas quem é essa senhorita? Nicola Benedetti veio a este mundo em 1987 na localidade de West Kilbride (Escócia) cujos pais são originários da Itália. Ainda com 10 anos foi aceita na concorrida escola do célebre violinista Yehudi Menuhin, nos arredores de Londres. Embora ainda estudante, já trabalhava como solista convidada em eventos importantes do porte do Royal Festival da Inglaterra.

           

Lord Menuhim teve sob sua orientação musical somente jovens talentos mundiais como o violinista Nigel Kennedy. Tamanha foi a notável musicalidade e reconhecimento de Nicola Benedetti que coube à moça, a honra de tocar no funeral de Sir Yehudi Menuhim em 1999 na Abadia Westminster.

           

A carreira da então adolescente violinista ítalo-escocesa foi marcada desde o início com especiais distinções como a de tocar para a família real inglesa. Quando se apresentou para a corte e ao Príncipe Edward em 2001 no Palácio de Saint James com o grupo camerístico ‘London Mozart Players’.

           

A atividade profissional de um novel solista além de se apresentar em concertos implica também vencer concursos mundiais para obter destaque no cenário artístico. Assim em 2004, aos 17 anos Nicola triunfa na competição “Jovem Músico do Ano” da TV BBC de Londres.

           

Claro que todo artista europeu almeja um dia ingressar no mercado cultural norte-americano. Dessa forma, em 2005 Nicola fez sua tournée de estreia no templo das artes em Nova York, o Lincoln Center. Veja-se que registros fonográficos nem sempre vêm de forma imediata. Pois, gravar é uma tarefa árdua e limitada para poucos músicos sempre muito selecionados por oportunidades ofertadas pelas gravadoras. Desse modo, o primeiro CD de Nicola, ainda com 18 anos, ela gravou compositores franceses como Saint-Saëns e Chausson com a Orquestra Sinfônica de Londres. Álbum que obteve excelente aceitação pelo público.

           

Descoberto um original talento como Benedetti, a indústria da música clássica busca facilitar chances de gravações para atender ao público consumidor, sempre impaciente por novidades. Dessa forma, aos 19 anos em 2006, a admirável escocesa de sangue italiano gravou concertos consagrados para o violino como do compositor alemão Mendelssohn com a Royal National Orchestra. Em seguida o concerto do compositor russo Tchaikovsky com a Filarmônica de Londres. Depois, outro russo: Glazunov com a Vancouver Symphony Orchestra.

           

Revelada a novidosa estrela, esta deve estar com seu repertório de concertos já desenvolvido e consolidado. Pois não haverá muito tempo para outros grandes estudos. A agenda de apresentações será incessante, percorrendo vários países, festivais, cidades e magníficos teatros. Essa é a vida do músico reconhecido: viajar, tocar e encantar as plateias mundiais.

 

Em verdade, tem-se que todo solista de destaque sonha um dia, por exemplo, com uma oportunidade de tocar com uma das principais orquestras do planeta: a Filarmônica de Berlin. Em 2007 esse verdadeiro ‘troféu’ foi conquistado por Nicola Benedetti que se apresentou na capital alemã tocando o emocionante concerto n.º 1 para violino e orquestra do compositor Max Bruch.

           

Sua destreza técnica e mérito artístico lhe valeu também o reconhecimento da academia quando recebeu o título de doutora “honóris causa” da Universidade Glasgow da Escócia. Seguiu a instrumentista tocando o concerto de Sibelius em 2008, em sua “avant premier” na cidade sagrada da música, Viena onde trabalharam Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms entre outros. Uma a uma, as capitais europeias são “conquistadas” pelo talento e discreto charme da violinista. Em 2009 toca em Praga com a Orquestra Philarmonica Tcheca. Nesse ano é lançado seu CD “Fantasie” com obras originais para violino. Muitos êxitos são conquistados em 2010, ano em que Nicola Benedetti toma parte de apresentações em Glasgow no 75.º concerto de aniversário da BBC Symphony Orchestra.

           

A partir de 2011, Nicola não pára mais em casa, sua agenda estava lotada de performances musicais por cidades norte-americanas como Pittsburgh, Cincinnati, San Francisco, Detroit, Nova Iorque, e na Turquia foi Istambul. Além de recitais na Holanda, França e Irlanda. Sempre acompanhada das melhores orquestras dos cinco continentes, em 2012 Benedetti tocou em Munique, Washington, além de viagem para Nova Zelândia e América do Sul.

           

Que força realizadora tem esta senhorita! Disposição para viajar todos os cantos do planeta enfrentando infindáveis conexões nos aeroportos e várias horas de voo. Equilíbrio para viver dias a fio em quartos de hotéis. Disciplina para estudar os exercícios de manutenção da técnica. Sim porque, apesar do repertório estar maduro “em seus dedos”, ainda há que se cuidar da competência de execução na hora exata das exigências de palco, onde a técnica não pode falhar.

           

Deste modo esse foi um breve relato, pequeno instantâneo da vida profissional de uma apreciada violinista de nosso tempo. Com certeza o século XXI ainda historiará muito da atividade artística desta sensível intérprete dos grandes compositores para seu instrumento, o violino.

 

Fica aqui a sugestão de conhecer o esplêndido trabalho artístico da escocesa Nicola Benedetti, inclusive nos links do YouTube abaixo sugeridos.

Uma visão escocesa da música clássica com Nicola Benedetti
Fonte: Querência em Foco com Ney Arruda.

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