NOTÍCIA - Agronegócio

29 de novembro de 2018 | MENOR | MAIOR | |

Avanços na seleção para saúde das vacas melhora produção de leite de fazendas

Propriedades que usam touros de maior imunidade estão conseguindo reduzir custos e a incidência de doença nos rebanhos
Avanços na seleção para saúde das vacas melhora produção de leite de fazendas

Na pecuária leiteira, o impacto econômico negativo causado pela incidência de doenças nas vacas tem levado os pecuaristas a buscarem touros capazes de transmitir maior imunidade às suas filhas. Estima-se que, para cada litro de leite que uma vaca enferma deixa de produzir no período de pico de sua produção, o prejuízo ao final de toda a sua lactação será de 200 litros de leite a menos. Já o atraso em emprenhar nos 90 dias pós-parto por decorrência de problemas de saúde acarreta um prejuízo de quase R$ 4,00 por dia. “Com os avanços nas pesquisas sobre a seleção para imunidade, sem sombra de dúvidas, estaremos evoluindo a passos largos para termos vacas cada vez mais saudáveis e menos dependentes de intervenções medicamentosas e/ou de atendimento, o que, do ponto de vista estratégico, é muito importante para o sucesso de diferentes sistemas de produção de leite ao redor mundo”, esclarece Flávio Junqueira, doutor em Produção Animal e Gerente do Programa Semex Progressive Leite.

Na Fazenda Três Pontas, em Presidente Olegário/MG, o melhoramento do rebanho tem sido direcionado para a obtenção de animais com imunidade superior. Com uma produção altamente tecnificada, a propriedade está entre as 50 maiores produtoras de leite do Brasil e foi a primeira da América Latina a adotar o sistema de ordenha em carrossel. No total, são 1.380 animais da raça Holandesa no plantel, sendo 625 vacas em ordenha. A média diária de produção por cabeça é de 31 litros com a qualidade exigida pelo mercado. O índice de Proteína está em 3,18 e o de Gordura em 3,5, dois componentes do leite que vêm sendo valorizados pelos laticínios que pagam uma bonificação maior por eles.

Anteriormente, a fazenda tinha como foco da seleção do rebanho animais de melhor conformação. Agora, a busca é por touros de maior imunidade e fertilidade. “Assim, está sendo possível elevar a rentabilidade da fazenda, pois as filhas desses reprodutores são mais longevas, resistentes a doenças, produzem colostro de alta qualidade e conseguem uma recuperação rápida em casos de mastite”, explica Luiz Fernando Oliveira, Regional Semex em Patos de Minas, que auxilia a propriedade a fazer um planejamento genético utilizando touros de imunidade elevada que serão acasalados com as melhores vacas do rebanho, selecionadas com base em características como saúde, produção e fertilidade, dentre outras.

Segundo o médico-veterinário da Três Pontas, Álvaro Shiota, a melhora genética do rebanho é visível. “As novas gerações de primíparas e vacas de primeira cria têm produções bem melhores que das fêmeas das gerações anteriores”, diz. Os avanços genéticos permitiram à Três Pontas, que está na atividade há 35 anos, consolidar o projeto de expansão do negócio, cuja proposta é chegar a 1.200 animais em ordenha.

Em Carmo do Paranaíba/MG, a Fazenda Bravinhos também tem direcionado a seleção do rebanho de 450 animais para a obtenção de vacas mais saudáveis. A produção diária é de 36 litros/vaca. “Estamos realizando acasalamentos corretivos para produzirmos animais de alta produção, de grande saúde e boa conformação. As bezerras com melhor saúde conseguem ficar mais tempo na propriedade, melhorando a rentabilidade”, assegura Cristiano Couto, médico-veterinário da Bravinhos.

O proprietário da fazenda, Daniel André da Silva, lembra que entrou para a pecuária leiteira em 1997 apenas com o propósito de garantir matéria-prima para a sorveteria que tinha na cidade. “Acabei gostando e vi que podia produzir com qualidade se investisse em genética”, lembra Daniel, que foi presidente da cooperativa local por 12 anos. Hoje, o leite da Bravinhos consegue atingir bons índices de sólidos totais, chegando a 3,71 de Gordura e 3,21 de Proteína. São 100 hectares de área e o produtor está aprimorando o trabalho para garantir mais conforto aos animais.

Enquanto no campo técnico os pecuaristas utilizam as ferramentas mais modernas para selecionar animais de maior imunidade, nos laboratórios, as pesquisas sobre a seleção com foco em doenças específicas avançam. “A seleção genética em gado leiteiro tem tido um impacto duradouro e positivo em fazendas leiteiras ao redor de todo o mundo. Do ponto de vista produtivo, não há dúvidas sobre os incríveis avanços que foram substanciais e definitivos, com recordistas mundiais atualmente fechando médias de produção em lactações encerradas de quase 100 kg de leite por dia. Nos últimos anos, a seleção para saúde vem ganhando mais atenção. Há novidades relevantes e promissoras no horizonte e isso abre um panorama muito promissor em longo prazo para termos vacas mais saudáveis”, finaliza Flávio Junqueira.

Avanços na seleção para saúde das vacas melhora produção de leite de fazendas
Fonte: Querência em Foco com Portal Do Agronegócio.

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